11/6/2019

Empresa não quer ser apenas operador rodoviário

Rodocargo vai apostar na multimodalidade e em novas áreas de negócio

Em entrevista à Transportes em Revista, o presidente da Rodocargo, Artur Pedrosa, declarou que «estamos a mudar o nosso paradigma, estamos atentos a novas oportunidades e disponíveis para apostar e investir noutras áreas de negócio». A empresa pretende deixar de ser apenas uma transportadora rodoviário de veículos e passar a ser um operador multimodal. De acordo com o responsável, «estamos num mercado que importa muitos automóveis e que exporta pouco. Estamos com a dimensão adequada para aquilo que são as necessidades do mercado português. Não vejo que tenhamos possibilidade de crescer mais e para que tal aconteça teremos de concorrer com grandes multinacionais e esse não é o nosso objetivo. Acredito, isso sim, que no mercado nacional podemos fazer mais alguma coisa se conseguirmos atrair outro tipo de fluxos internos».
Para Pedrosa «a intermodalidade poderá ser um caminho. Esta mudança de paradigma não é uma coisa automática, mas está na altura de começarmos a pensar nisso. A pressão sobre tudo o que é transporte rodoviário internacional vai aumentar a nível comunitário e temos de encontrar outras formas de continuar o nosso negócio».
A reativação do serviço ferroviário de transporte de veículos entre a Autoeuropa e o porto de Setúbal, cuja operação é assegurada pela Rodocargo, é já um primeiro sinal desta mudança de paradigma. Recorde-se que, em setembro, a Volkswagen Konzernlogistik, a Rodo Cargo e o porto de Setúbal reativaram a operação de transporte de automóveis, por ferrovia, entre a Autoeuropa, em Palmela, e o terminal ro-ro. Até dezembro, serão efetuadas duas viagens diárias, com um total de 250 viaturas transportadas, mas a partir de janeiro estima-se duplicar o serviço com quatro viagens diárias.
«Entrámos neste negócio, não por extrema necessidade, porque temos capacidade para servir o cliente, mas porque entendemos que temos de começar a dar passos em caminhos diferentes. E esse caminho levou-nos a operar um serviço ferroviário» disse Artur Pedrosa, que adiantou ainda que este negócio irá permitir desafetar meios para outros serviços: «Esse é um dos ganhos indiretos, porque a partir de janeiro vamos poder alocar os meios rodoviários que estavam afetos na Autoeuropa para outros serviços, aumentando a capacidade que temos no mercado nacional».

Rodocargo vai investir no Parque Sapec, em Setúbal

Artur Pedrosa revela que os camiões e as estruturas de porta-automóveis que estão afetos ao serviço da Autoeuropa não deverão sair do âmbito do Porto de Setúbal, só que em vez de realizarem fluxos de exportação, passarão a realizar fluxos de importação.
«Estamos a arrancar com um projeto, em parceria com o grupo Sapec, para criarmos um parque para automóveis dentro do parque Sapec, que terá cerca de 200 mil metros quadrados. Esse parque servirá como apoio a toda a importação que entra no porto de Setúbal, que é o maior porto de tráfego ro-ro em Portugal. Estamos a iniciar agora os trabalhos e espero que no segundo trimestre do próximo ano já esteja operacional. Vai ter capacidade para cerca de 7 mil viaturas e irá comportar todas as valências logísticas que já são prestadas pela Rodocargo».

Por: Pedro Pereira
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