Nuno Freitas assumiu os comandos da CP – Comboios de Portugal em julho deste ano e já fez um diagnóstico da empresa ferroviária. O presidente da CP critica em carta enviada aos trabalhadores da EMEF as opções de “curto prazo” das anteriores administrações e admite ter vontade de reforçar a área industrial da CP, falando até da possibilidade de construir um comboio.
"Os ganhos de curto prazo à custa do desrespeito por elementares regras de boas práticas, eliminação de redundâncias e esgotamento das margens de degradação pagam-se com prejuízos no médio e longo prazo", escreveu o Nuno Freitas, citado pelo jornal Público. Em causa, acrescentou, ficou a pontualidade, o conforto e a limpeza.
No mesmo documento, o presidente da CP fala de um projeto que tem duas fases. A primeira consiste em, num prazo de 18 meses, inverter a atual situação da empresa, que descreve de “degradado” e recuperar os níveis de serviço, apostando na recuperação do parque de material circulante ativo e imobilizado. Outra das ideias é a criação de um centro de competências do sector ferroviário. Assim, sugere que a CP deverá “criar massa crítica e reconstruir rede tecnológica e empresarial ligada ao sector” com o fim último de construir um comboio português.
É aqui que entra a segunda fase do plano de Nuno Freitas para a CP, até 2023, “construir de novo material circulante pela área industrial da CP, integrando engenharia e indústria baseada em Portugal. Para isso, deverá proceder-se à fusão, por incorporação, da EMEF na CP". O mesmo responsável comenta que o objetivo é “dotar o país de capacidade para construir material circulante ferroviário de forma a garantir a sustentabilidade do sector a médio e longo prazo”.
Alcançar este projeto até 2023 implica ainda, salienta Nuno Freitas, que "haja planificação de investimentos para estabilização da oferta comercial, regularidade, pontualidade, limpeza/aparência (graffiti) e conforto e ainda adequação do material circulante aos serviços, a reformulação do serviço comercial e promoção da procura ou uma estratégia para o turismo ferroviário e comboios históricos”.
De relembrar que a CP é detida a 100% pelo Estado e que o Conselho de Ministros de 5 de julho aprovou a fusão com a Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF) na operadora ferroviária.