6/6/2019

Bruxelas

Comissão Europeia recomenda Portugal a investir em ligações marítimas e ferroviárias

A Comissão Europeia alerta Portugal que são necessários mais investimentos, e de forma mais célere, em ferrovia e em transportes marítimos, correndo do risco do país não aproveitar os investimentos que estão a ser realizados em ambos os setores a nível europeu.

Num novo estudo sobre a economia portuguesa, Bruxelas incita Portugal a afirmar-se como a grande porta de entrada de mercadorias da Europa, ao mesmo tempo que crítica o Governo por estar a investir consecutivamente menos do que promete, algo que pode ter consequências para o crescimento da economia.

“A insuficiência das ligações ferroviárias e marítimas dificulta que as empresas exportadoras beneficiem plenamente do potencial do mercado único. Devido à sua situação geográfica, Portugal é um ponto de entrada marítimo natural, especialmente para as rotas transatlânticas”, pode ler-se no documento da CE.

Além disso, “os investimentos atempados nos novos terminais de contentores de Sines e do Barreiro (terminal Vasco da Gama) e a finalização dos projetos de investimento em curso nos outros principais portos portugueses (Viana do Castelo, Leixões, Aveiro, Figueira da Foz, Setúbal) irão aumentar a capacidade de movimentação de contentores destes portos”, sendo necessários investimentos equivalentes em ligações ferroviárias aos portos de maior dimensão.

Sobre o panorama ferroviário de mercadorias, a Comissão Europeia refere que “os caminhos-de-ferro continuam a ser muito pouco utilizados nas ligações a Espanha”, sendo imperativo “tirar proveito da modernização da rede ferroviária espanhola e do desenvolvimento da bitola da União Internacional dos Caminhos de Ferro”.

Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão Europeia, e Pierre Moscovici, comissário dos Assuntos Económicos, reforçam no pacote de recomendações que Portugal deve “tornar as despesas [públicas] mais favoráveis ao crescimento através do apoio ao investimento”. E alertam: “apesar de ter aumentado em 2018, o investimento público permaneceu muito baixo em comparação com os padrões da UE, situando-se sempre aquém dos próprios objetivos do Governo”.

Por: Pedro Venâncio
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