3/8/2019

José Frazão, diretor-geral do ExpoSalão

«Há que dar voz e visibilidade a um setor-chave da economia»

Dois anos após a última edição, na FIL – Feira Internacional de Lisboa, a ExpoTransporte está de regresso à Batalha, entre 15 e 17 de março. A edição de 2019 tem o apoio da Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas, potenciando a troca de ideias e de conhecimentos, oportunidades e concretização de negócios.

Transportes em Revista (TR) – Quais as perspetivas da organização em relação à edição de 2019?
José Frazão (JF) – As expetativas são muito boas. Assim que lançamos a data e o local de realização da feira, a reação fez-se sentir e foi muito positiva. As empresas aderiram e estão empenhadas na participação. Vamos ter mais de 80 empresas expositoras na ExpoTransporte: desde semirreboques, a veículos ligeiros e pesados de mercadorias, furgões, equipamentos frigoríficos, equipamento de movimentação de cargas, plataformas elevatórias, equipamento oficinal, peças, pneus, lubrificantes, mecânica, componentes e acessórios, bombas de combustível, equipamentos para lavagem de veículos, sistemas de pagamento e automação para frotas e postos de abastecimento, software para gestão de frotas e de logística, formação e outros produtos e serviços que servem este setor.

TR – Há dois anos, o certame teve lugar na FIL – Feira Internacional de Lisboa. Porquê o regresso à Batalha?
JF – Depois de avaliar a dinâmica deste setor no mercado e as vantagens que a localização central e estratégica da região centro proporciona, com uma maior proximidade aos grandes grupos de transportadores aí sediados, tomámos a decisão de trazer a feira novamente para a Batalha. Em 2017, havia vozes das marcas que nos apontavam Lisboa como vantajosa para a realização da feira, mas a edição desse mesmo ano na capital, não veio provar isso. Assim, quando fomos contactados pela Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP) para uma parceria com a ExpoTransporte, não hesitámos, e marcámos a feira na Batalha.



TR – Qual a importância da realização de um evento, com a dimensão da ExpoTransporte, no panorama nacional do setor do transporte e da logística?
JF – O transporte e a logística são denominadores comuns de todos os setores de atividade, desempenhando um papel primordial para o sucesso das operações. Há que dar voz e visibilidade a um setor-chave da economia e a ExpoTransporte é a ocasião perfeita, não só para a apresentação de propostas e soluções pelas marcas e empresas, mas também para o debate das questões que dominam a atualidade do setor.

TR – Como caracteriza a parceria com Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP)?
JF –
As parcerias podem ser o êxito dos eventos. Geram-se grandes sinergias entre o congresso e a feira; entre as marcas e as empresas expositoras; e entre os transportadores e os motoristas que são candidatos a empresários do setor, na medida em que os interesses se cruzam, potenciando a troca de ideias e de conhecimentos, oportunidades e concretização de negócios. Quero aqui realçar o papel da ANTP, que se tem afirmado de forma crescente no setor pela capacidade mobilizadora que tem tido junto dos transportadores, manifestando o poder dos seus associados em impulsionar e defender as melhores condições para o crescimento do setor, impedindo que os pequenos transportadores caiam no abismo financeiro.

TR – Quais os maiores desafios que se apresentam na atualidade ao setor da logística e distribuição em Portugal?
JF –
Os maiores desafios para as empresas de logística em Portugal são a falta de mão-de-obra, os elevados custos com combustíveis, as greves, a incerteza das entregas e o incumprimento de prazos. Além disso, as novas regulamentações laborais têm sido um desafio para as empresas e para o setor.

TR – A profissão de motorista não é “acarinhada” em Portugal por todas as dificuldades inerentes. O que pode reverter esta tendência?
JF –
Não é verdade. O que existe é uma imagem pré-concebida de que os motoristas são pessoas pouco qualificadas. Esta tendência tem sido revertida ao longo do tempo, pois a formação qualificada e obrigatória, e também a regulamentação do setor, fazem com que os motoristas cumpram diversas normas e estejam qualificados para isso, habilitando-os à função, como em qualquer outra profissão. Além disso, a transformação digital e tecnológica “obriga” as empresas a evoluir, todos os dias.

TR – Como podem os profissionais competir na linha da frente e ultrapassar os desafios do mercado?
JF –
Como em qualquer outro setor, os transportes acompanham as tendências: seja através das viaturas, da constante atualização das marcas, ou na melhoria dos veículos (no conforto, consumos e emissão dos gases poluidores – daí já surgirem os veículos Euro 6). As empresas de transportes adaptam-se cada vez mais à realidade digital, através de inúmeras soluções que o mercado apresenta, tornando-as mais atuais e também mais próximas dos clientes.

Por: Pedro Venâncio
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