8/6/2018

Defende ACP

Porto de Leixões não pode ser uma sucursal do Ministério do Mar

A discussão entre a Associação Comercial do Porto (ACP) e Governo sobre o Porto de Leixões está longe de terminar. Perante novos comunicados enviados pelo Ministério do Mar e pela administração da APDL na passada sexta-feira, a ACP defende que “o Porto de Leixões não pode ser uma sucursal do Ministério do Mar”.

Segundo a associação, “os comentários feitos pelo Ministério do Mar e pela APDL causam uma grande estranheza à Associação Comercial do Porto”, uma vez que “a acusação de ‘falta de iniciativa no sentido de manifestar alguma preocupação sobre estas matérias’ (citação do Ministério do Mar) é gratuita e sem qualquer fundamento, face à realização do estudo Terminais Portuários e Infraestruturas Logísticas em Portugal".

A Associação Comercial do Porto refere que este estudo foi “enviado ao Ministério do Mar a 29 de junho de 2016, sendo solicitada uma audiência com a ministra para apresentação do mesmo”, todavia, “após diversos contactos, até à data de hoje, nem o estudo nem o pedido de audiência mereceram qualquer resposta ou comentário”.

O Plano Estratégico do Porto de Leixões foi discutido pelas entidades do porto, incluindo a Associação Comercial do Porto, através da Comunidade Portuária, mas o documento “nunca foi tornado público, nem pela anterior administração, que o promoveu, em 2016, nem pela atual”. Esta “atitude de secretismo”, diz a ACP, “representa um retrocesso face ao Plano Estratégico anterior, relativo ao período 2004/2015, que foi amplamente discutido e acompanhado por todas as partes interessadas na sua execução”. Também com a atual administração já foi solicitada a divulgação do Plano Estratégico, “o que nunca se verificou”. Segundo a ACP, “continua na gaveta do Ministério do Mar”, sendo “um dos segredos mais bem guardados”.

Mais indica a associação que os timings apresentados no comunicado do Ministério do Mar “aprofundam a preocupação da ACP, atendendo a que neste momento o Porto de Leixões se encontra em rutura eminente, prejudicando este que é um dos melhores portos médios da Europa e um motor económico da região”.

A Associação Comercial do Porto alega que “o Novo Terminal de Contentores a -14m foi abordado já no Plano 2004/2015, pelo que qualquer redução de calendário agora não será uma virtude, mas um desespero face à necessidade urgente de operar navios que necessitem de fundos a -14m”. Além disso, alerta que nos últimos três anos, o Porto de Leixões perdeu três linhas de navegação e não conseguiu vencer outras duas, pela falta deste cais terminal de contentores com -14m.

O calendário apresentado no comunicado do Ministério do Mar é, segundo a ACP, “completamente irrealista, dadas as intervenções necessárias na infraestrutura portuária e os constrangimentos que, ao contrário do que refere a administração da APDL, provocarão impactos no porto de pesca, dadas as necessidades não só de instalação do terminal como do parqueamento dos contentores”.

A Associação Comercial do Porto demonstra ainda preocupação com a “crescente interferência do governo nas atividades da APDL, com graves consequências para a atividade económica que o porto de Leixões suporta”.

Por: Pedro Venâncio
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