5/16/2018

Paulo Humanes - PTV Group

«Operadores de transportes terão de alterar tipologia dos veículos»

Os operadores de transporte rodoviário vão ter de alterar a configuração dos seus veículos e diversificar a oferta que oferecem ao mercado. Quem o refere é Paulo Humanes, responsável pela área de "Global Stategic Business Development" da PTV Group, empresa líder mundial no fornecimento de software para planeamento e gestão de tráfego, logística e transportes, que pertence ao Grupo Porsche. Em entrevista à Transportes em Revista, Paulo Humanes salienta que «os veículos serão diferentes... porque para diferentes necessidades precisamos de diferentes veículos. Será mais rápido fazer um transbordo de um veículo de oito ou 16 pessoas, do que o fazer num veículo de 80 pessoas com uma só porta. Os veículos podem ser diferentes mas não terão necessariamente diferentes funções. Por outro lado, é possível que o sistema seja, no futuro, mais fragmentado, mas será sempre necessário uma espinha dorsal de transporte público». Por outro lado, o responsável salienta que a própria oferta de transporte público que hoje é oferecida terá de ser mais diversificada, o que irá provocar nova concorrência: «Na minha opinião terão de se diversificar. E aí, também alguns construtores automóveis vão entrar em competição com os provedores de mobilidade. Pode ser que se formem parcerias... mas a realidade é que os construtores de automóveis querem eles mesmos oferecer estes serviços. E não nos esqueçamos que os provedores de mobilidade estão dependentes dos construtores de automóveis. Numa outra perspetiva, também as companhias e empresas que estão dependentes dos construtores automóveis percebem que as coisas estão mudar e que precisam de se adaptar a essa mudanças». 



Nesta entrevista, Paulo Humanes revela que as cidades estão num período de «completa revolução» e que esta mudança está baseada na componente tecnológica, focada em três vertentes: eletrificação, economia da partilha e conectividade. O transporte público coletivo será profundamente afetado por esta alteração de paradigma, mas não deixarão de ser fundamentais. Para Paulo Humanes, «não se pode pensar numa cidade sem transporte público. Todos os sistemas de mobilidade individual ou semi-individual têm de funcionar em conexão como uma espinha dorsal de transporte público. Essa será a principal diferença. Será preciso coordenar, em termos de sistemas, a integração de diferentes modos de transporte. Mas para isso é preciso coordenação, bilhética integrada e que seja uma experiência positiva para o utilizador. Na minha opinião, os construtores de automóveis já entendem que este será o sistema em que têm de trabalhar, não de forma isolada, mas coordenada».
Questionado sobre se o sistema de transportes públicos pode vir a alterar-se com o recurso a horários, redes e percursos que não são fixos, como hoje acontece, Paulo Humanes defende que no futuro «haverá um mix. É necessário que haja uma espinha dorsal de transporte público (fixa e de alta capacidade) e depois ter serviços complementares em torno do serviço e da rede principal do sistema». O gestor português salienta que este modelo iria retirar automóveis dentro das cidades e dá o exemplo do estudo realizado pela PTV para a cidade de Lisboa: «Concluímos que se reduziria em 2/3 o número de automóveis unicamente pela substituição de veículos particulares por veículos (táxibus) de quatro pessoas».


Não perca a entrevista de Paulo Humanes, na íntegra, na TR 182.

Estes e outros temas serão abordados no MOBITRANS - 12.º Encontro Transportes em Revista, que terá lugar a 24 e 25 de maio, no Museu do Carro Elétrico, no Porto.

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Por: Pedro Pereira
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