3/8/2018

Diz Comissão Europeia

Atrasos nos investimentos na ferrovia podem não ser recuperáveis

A Comissão Europeia veio alertar para a atual situação do setor ferroviário em Portugal, nomeadamente para o facto de que os atrasos nos investimentos na ferrovia poderão não ser recuperáveis. A nota veio de Bruxelas, à margem do pacote de inverno do semestre europeu de coordenação de políticas económicas e orçamentais da União Europeia.

No documento, pode ler-se que os “atrasos nos investimentos nos caminhos de ferros apresentam um problema dada a baixa densidade ferroviária do país” e que os “principais projetos cofinanciados pelo Connecting Europe Facility estão a enfrentar atrasos, que em alguns casos não podem ser ultrapassáveis”, cita a Lusa.

A União Europeia destaca neste documento que os “planos ambiciosos” de Portugal devem ser “realistas” quanto aos projetos e à infraestrutura em modernização e construção. Contudo, para o organismo europeu, parece ainda existir “capacidade insuficiente em termos de pessoal qualificado envolvido no desenvolvimento de projetos cofinanciados pelo CEF”.

Ainda que tenham sido lançados recentemente as obras nos troços Covilhã-Guarda e Évora-Elvas, o documento descreve que o setor ferroviário ainda está “amplamente subutilizado na ligação com Espanha”, faltando “uma estratégia conjunta detalhada” entre os dois países.

Para Bruxelas, um “plano abrangente incluiria a identificação de etapas intermédias, terminais, interconexões necessárias para beneficiar da modernização da rede espanhola e do desenvolvimento da bitola internacional”, de forma a “impulsionar o desempenho ferroviário internacional, o que é crucial para enfrentar a situação periférica de Portugal e explorar o potencial dos portos portugueses, até o momento prejudicados por um modelo 'apenas rodoviário'”, pode ler-se no referido documento. A UE recorda ainda que “a intensidade do tráfego ferroviário de mercadorias continua a situar-se entre as mais baixas da Europa”, pelo que a aposta no setor ferroviário é imprescindível à reversão desta tendência.

Fonte: Lusa

Por: Pedro Venâncio
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