11/8/2017

Alerta a Comissão Europeia

Transição para mobilidade limpa custará 70 mil milhões de euros

À margem de um painel sobre a transição dos transportes para uma mobilidade mais limpa e sustentável, no Web Summit, Matthew Baldwin, diretor-geral da Comissão Europeia para a Mobilidade e Transporte, alertou que será “muito caro” financiar a Europa nesta transição e que a fatura global pode acender os 70 mil milhões de euros.

Matthew Baldwin afirmou que "temos de ser muito honestos com as pessoas, relativamente aos custos de mobilizar todos os recursos disponíveis e utilizá-los de forma sensata. A boa notícia é que esses fundos existem”. O responsável referiu que existem cerca de 70 mil milhões de euros disponíveis em Fundos Europeus para Investimento Estratégico contudo, alertou que para o programa de transição ser bem-sucedido, ter-se-á que gastar "cada gota desse dinheiro".

Matthew Baldwin adiantou que deste valor, 40 mil milhões podem ser canalizados para desenvolver novos modos de mobilidade com baixos níveis de emissões, 12 mil milhões para reduzir a pegada ecológica e sustentável em transportes urbanos e outros 7 mil milhões em I&D. O diretor-geral para a Mobilidade e Transporte advertiu que "vai ser muito caro, até para lidar com os impactos sociais. Não sei se nos apercebemos ainda da velocidade a que os empregos atuais vão mudar e temos de estar preparados para gastar dinheiro para que não sejam apenas os mais desfavorecidos da nossa sociedade a pagar os efeitos desta mudança".

Na opinião de Matthew Baldwin, o processo de descarbonização deve ser executado de forma segura “para não ficarmos encalhados”. Nesta medida, o mesmo aponta três pilares fundamentais: digitalização, investimento e pessoas. Colocar as pessoas no centro do setor do transporte e da mobilidade, não só em termos de segurança mas na escolha por diversos modelos e modos de transporte que se adeqúem às suas necessidades.

No mesmo painel, Sharon Masterson, responsável do Fórum do Transporte Internacional da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, destacou o "grande potencial de construir novas cidades", não em torno do automóvel, mas na utilização de meios de transporte alternativos, como o carsharing ou o bikesharing. "A transição é muito importante. O diálogo é muito importante para ver como vamos atingir os objetivos a que nos propomos”, defendeu.

Monika Mikac, da construtora croata Rimac Automobil, observou que "é apenas uma questão de tempo” e que o “próximo grande passo é a mobilidade autónoma. É isso que é necessário pensar porque isso irá alterar por completo o nosso mundo. Novos empregos vão ser criados e muitos vão deixar de existir".

Por: Pedro Venâncio
Fonte: