domingo, 17 de Dezembro de 2017

 
Articulistas Residentes
  
RL 468x60
Passageiros & Mobilidade
Dezembro de 2011
Não basta fazer, é preciso ter estilo
O enquadramento das obras públicas, transportes e comunicações na tutela do Ministério da Economia e Emprego foi uma das grandes novidades do novo Governo. Puxando o setor para a área da economia, o Governo colocou ênfase na sua visão sobre o setor numa perspetiva de agente ativo na economia nacional.

Poder-se-á concordar ou ter dúvidas sobre esta visão, mas é consensual, entre todos os agentes, que a atividade dos transportes, a sua importância estrutural no tecido produtivo e o seu papel na sociedade, em particular no emprego, são factos que a ninguém merece dúvida.

A escolha do novo responsável pelo setor veio surpreender tudo e todos. A sua formação académica e sobretudo o seu percurso profissional criaram, na generalidade, alguma apreensão pelo seu suposto desconhecimento da realidade do setor, mas, sobretudo, criou expetativa sobre o seu pensamento e linhas de atuação. Diria que se é legitimo haver alguma ansiedade sobre alguém que de novo chega ao setor, o que é certo é que o perfil escolhido encaixa na perfeição naquilo que o Governo terá de fazer, ao abrigo do documento acordado com a chamada “troika” e o anunciado no programa do Governo.

De facto - para minimizar os impactos económicos das Scut´s, preparar as privatizações, reestruturar e racionalizar dívidas das empresas públicas e preparar a concessão a privados de operações até agora da responsabilidade de entidades públicas - o perfil, a formação e a experiência do novo responsável da secretaria de Estado dos Transportes encaixam na perfeição, esperando-se que seja uma mais valia para a modernização e sustentabilidade do setor.

Recorrendo à expressão utilizada pelo Primeiro Ministro, o “trabalho é colossal” também para esta tutela, que terá o enorme encargo de fazer, em poucos anos, aquilo que anteriores Governos não fizeram em muitos.
Mas, a bem de todos e por forma a todos envolver, não basta intervir apenas do lado das consequências dos problemas, de que os recentes aumentos tarifários dos transportes são exemplo, sem que, ao mesmo tempo, sejam anunciadas as alterações efetivas do lado da origem.
Ninguém duvida que novos tempos aí vêm, mas que sejam novos tempos, também na maneira de fazer, sob pena de repetir um estilo que provou não dar resultado e que foi penalizado nas urnas.

"O importante é não perder o estilo, e, se possível, não perder o dinheiro também. Porque o estilo sem dinheiro é uma infiltração do mau gosto."
Augustina Bessa-Luís

José Monteiro Limão
josé.limao@transportesemrevista.com

5073 pessoas leram este editorial
3 pessoas imprimiram este editorial
0 pessoas enviaram este editorial a um amigo
0 pessoas comentaram este editorial
Comentários
  
Deixe o seu comentário!

Para comentar, necessita fazer login.

  

Chronopost
Eventos TR
  
Dicas & Pistas © 2009, Todos os Direitos Reservados

Condições de Utilização | Declaração de Privacidade
desenvolvido por GISMÉDIA