quinta-feira, 16 de Julho de 2020

 
caetano 468x60
Carga & Mercadorias
20-03-2020

A razão sempre existiu, mas nem sempre foi a razão…
Como é possível percebermos tão tarde que a racionalidade aplicada, nunca foi, nada mais nada menos, do que uma irracionalidade?

Decisões são a nossa vida. A toda a hora e a todo o minuto temos de decidir e quase sempre estamos a decidir o futuro, não apenas o nosso, mas também o dos que nos rodeiam. Quando assim é, a racionalidade da decisão tende a ser maior, no entanto, quando decidimos sobre aqueles que estão mais distantes, a decisão aparenta ser menos racional, uma vez que os incentivos recebidos não possibilitam seguir o caminho do melhor resultado final, mas seguir uma solução que poderá não ser nada favorável no médio longo prazo.

Só assim se explica a ausência de políticas do Estado para a ferrovia ao longo de décadas e uma aposta praticamente cega no “alcatrão”, discussões sobre aeroportos, sobre TGV’s e enfim. Ora o que aconteceu foi que, tendo passado este “médio/longo prazo” percebemos que as decisões tomadas tiveram um resultado final nada favorável. Da mesma forma, veja-se que em nenhum momento foi feito um planeamento estratégico para os transportes em Portugal. O Metro não chegou ao aeroporto, o comboio não passa na ponte Vasco da Gama, a terceira ponte sobre o Tejo não existe, a Linha do Norte está em obras em permanência, ainda não temos aeroporto ou temos? Um em Beja? E por aí adiante.

Ou seja, o que se faz é aos “arrepelões”, depois, quando já estamos no “futuro”, olhamos para trás e é que percebemos a irracionalidade das decisões tomadas.

Tudo isto são enigmas num país que podia ser das maravilhas, mas é novamente um país de trocadilhos. Atualmente andamos todos preocupados com as questões ambientais e até a capital (do país) ganhou o cognome de Capital Europeia Verde 2020. Depois… bem, depois queremos deslocalizar o maior porto seco para longe do consumo para fazermos mais quilómetros de camião, depois percebemos que sem exportações isto não vai lá mas não fazemos nada para alterar este status quo, depois percebemos que precisamos de um plano nacional estratégico para transportes, logística e carga mas aquele “futuro” onde já chegámos é onde ainda não andamos a discutir a aposta na intermodalidade e diria até sincromodalidade, em eficientes conexões (hubs) rodo/ferro/aero/portuários, onde, tanto pessoas como carga se movimentariam e girariam em verdadeiras ‘placas giratórias’ modernas e eficientes, que ajudariam a uma maior mobilidade de pessoas e bens.

Como diz um amigo meu: “há sempre alguém com o ACHOmetro ligado, o OPINOmetro afinado e o VENENOmetro abastecido”, pelo menos em Portugal.

Da mesma forma que há algum tempo se começou a olhar para a inteligência emocional de forma completamente diferente, pergunto senão deveríamos olhar para estas questões não apenas através da “folha de Excel”, mas com “inteligência” económica, ambiental e de engenharia? Inteligências estas que dariam lugar a parcerias leais e fiéis, com financeiros, economistas, logísticos, ambientalistas, engenheiros e técnicos, criando modelos “disruptivos” que eventualmente permitiriam tomar decisões hoje, completamente válidas no médio ou longo prazo e, consequentemente com muito menores custos. Porquê? Porque o que é barato (hoje) sai caro (amanhã).

Criar equipas multidisciplinares aproveitando ao máximo o conhecimento e competências para criar modelos que cativem todos, que unam toda a sociedade civil e política à volta de um desiderato Nacional, devia ser “legislado”. Será talvez por estas razões que devemos descruzar os braços, conjugar todos estes fatores, esquecendo cores políticas, credos e interesses pessoais em nome de mais mobilidade, mais ambiente, mais coesão e mais país.

Porquê? Porque quando ganha o todo, por inerência ganhamos todos. “Grão a grão enche a galinha o papo”. Ganhando pouco de cada vez ganhamos mais vezes, ganhando muito de uma só vez, matamos a galinha [dos ovos de ouro]...
por: António Nabo Martins
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