sábado, 30 de Maio de 2020

 
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18-03-2020
Porto de Lisboa
Nova lancha de pilotos não cumpre regras de segurança
Os pilotos de barra do Porto de Lisboa estão preocupados com o facto de a lancha dos pilotos, entregue em julho de 2019 – e batizada com o nome “APL Bom Sucesso” – não cumprir os critérios de segurança necessários à atividade e devido a esse motivo encontrar-se parada, desde agosto, no Porto de Lisboa.

Ao que a Transportes em Revista conseguiu apurar, os pilotos do porto de Lisboa estranham a aquisição desta lancha e consideram que algumas das deficiências da embarcação deveriam ter sido identificadas na fase de desenho da mesma. Fonte da Transportes em Revista revelou que “a lancha, o modelo STAN PILOT 1204 FRP da empresa DAMEN, é um protótipo com base num crewboat e, como tal, não foi testada pelo fabricante para a atividade de piloto de barra”.

Entretanto, a APIBARRA - Associação dos Pilotos de Barra e Portos, a pedido dos seus associados do Porto de Lisboa, enviou um documento à Direção Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), onde destaca alguns dos problemas desta embarcação: os níveis de ruído no seu interior que ultrapassam os valores recomendados; a zona de embarque que é exígua, não havendo uma passagem segura para a proa junto à cabine e o facto de o sistema de resgate apresentar uma SWL de 100 quilogramas, peso facilmente ultrapassável no caso de o piloto ou tripulantes ficarem com as roupas molhadas.

No documento enviado pela APIBARRA à DGRM, a que a Transportes em Revista teve acesso, a associação revela as preocupações dos pilotos e sugere que seria “mais benéfico se a análise do projeto fosse complementada com uma vistoria a bordo, incluindo a observação da lancha em operação e a utilização dos meios de segurança, nomeadamente a do equipamento de resgate”. Neste sentido, a DGRM já procedeu à vistoria e está a elaborar orientações em relação às questões operacionais, estando garantidas as questões relacionadas com a segurança da navegação e navegabilidade. De referir que não existe em Portugal legislação específica para estas embarcações ao contrário do que acontece por exemplo no Reino Unido. A APIBARRA ressalva que a sua prioridade é a garantia da segurança dos pilotos de barra e da operacionalidade de todos os portos nacionais.

Porto de Lisboa só tem duas lanchas disponíveis

Os pilotos de Lisboa defendem também a aquisição de uma lancha com capacidade para operar fora da barra. Atualmente, só estão em operação duas lanchas: a Barra Norte, dedicada ao serviço dentro do rio e não adequada ao serviço fora do rio e a lancha Baía de Cascais, a única que pode executar o serviço nas duas estações de pilotagem do Porto de Lisboa.

“O funcionamento destas duas embarcações é irregular, pois a sua operacionalidade é afetada por avarias, pelo seu uso intensivo e pela ineficiência do seu programa de manutenção e de gestão”, revelou à Transportes em Revista fonte dos pilotos do Porto de Lisboa. Deste facto resultam implicações diretas na operação de pilotagem aos navios, em que estes são pilotados em função das disponibilidades das lanchas quando a subordinação deveria ser a inversa.

O concurso público para aquisição da lancha foi lançado pelo Porto de Lisboa por um valor de 600 mil euros. Contactada pela Transportes em Revista, a Administração do Porto de Lisboa não quis prestar declarações sobre este tema, que diz estar ainda em análise, e revela-se nesta fase mais atenta aos constrangimentos associados ao corona vírus.
por: Sara Pelicano
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