segunda-feira, 19 de Outubro de 2020

 
Reta
Carga & Mercadorias
24-02-2020
Recuo de 6,2% face a 2018
Portos do continente movimentam 86,9M de toneladas em 2019
Os portos do continente registaram em 2019 um volume total de carga de 86,9 milhões de toneladas, uma quebra de 6,2% face ao ano anterior que reflete, em volume, menos 5,7 milhões de toneladas.

Este desempenho deve-se, maioritariamente, ao comportamento do porto de Sines que perdeu quase 6,1 milhões de toneladas por efeito da diminuição das importações de carvão e de petróleo bruto e da diminuição do volume de carga contentorizada, que atingiu um total de menos 4,9 milhões de toneladas, decorrente da quebra registada nas operações de transhipment. A diminuição do movimento de contentores em transhipment decorre do facto de se terem observado perturbações laborais no Terminal XXI no período de maio a agosto e de ter ocorrido, no mês de abril, um derrame de hidrocarbonetos no reabastecimento de um navio na zona do mesmo terminal.

Por sua vez, os portos de Aveiro, Figueira da Foz, Faro e Portimão foram responsáveis, no seu conjunto, por uma quebra de 240 mil toneladas. Já Leixões, Setúbal, Viana do Castelo e Lisboa registaram variações positivas face ao ano de 2018, apresentando, respetivamente, +1,8%, +3,1%, +16,5% e +0,04%, a que corresponde um total de mais 595,5 mil toneladas.

De acordo com os dados revelados pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT), “tendo como perspetiva os diversos mercados, verifica-se que os segmentos que têm um impacto mais negativo e que condicionam fortemente o desempenho do sistema portuário são a carga contentorizada, o carvão e o petróleo bruto, representando, no seu conjunto, 85,7% do total de menos 9,6 milhões de toneladas de carga perdida, considerando o movimento total, isto é, as operações de embarque e de desembarque”.

Positivamente, destaca-se ainda mercado dos produtos petrolíferos em Sines, com um acréscimo de quase dois milhões de toneladas, representando 51% do total de mais 3,8 milhões de toneladas que totalizaram os ganhos de carga nos vários mercados. Também a carga contentorizada em Lisboa e os outros granéis líquidos em Sines e Aveiro registaram ganhos de, respetivamente, 235 mil toneladas, 226 mil toneladas e 203,6 mil toneladas.

O volume global de carga movimentada nos diversos portos em 2019 confere liderança ao porto de Sines com uma quota de 48,1%, inferior em 3,6 pontos percentuais ao que detinha no final do ano de 2018. Leixões ocupa a segunda posição com 22,5% como o porto com maior volume de carga movimentada, seguindo-se Lisboa (13%), Setúbal (7,3%) e Aveiro (6,3%).

No segmento dos contentores, constata-se que o sistema portuário do continente fechou o ano de 2019 com um volume de 2,7 milhões de TEU’s, inferior em 8,9% ao valor de 2018, correspondente a menos 266,4 mil TEU’s movimentados. Esta variação negativa é da responsabilidade de Sines, que regista uma quebra de 18,7% (ou menos 327,2 mil TEU’s). Os restantes portos registam desempenhos positivos.

Importa salientar que o tráfego de contentores no porto de Sines se desenvolve nos segmentos distintos de operações de transhipment e com o hinterland, que apresentam também comportamentos diferentes. No transhipment, Sines perdeu 382,8 mil TEU’s , enquanto que nas operações com o hinterland regista um acréscimo de 55,7 mil TEU’s.

Ainda neste segmento, constata-se que o porto de Sines mantém a liderança com uma quota de 52,2%, inferior em 6,3 pontos percentuais ao anterior máximo, registado em 2018. Na posição seguinte encontra-se Leixões, com 25,2%, que reflete um aumento homólogo de 2,8%

Nos portos comerciais registou-se, no ano de 2019, um total de 10.646 escalas de navios de diversas tipologias, a que correspondeu um volume global de arqueação bruta (GT) de 204,2 milhões. Estes números, face ao ano anterior, correspondem a variações positivas de 1,2% em número de escalas e negativas de 0,4% em arqueação bruta.

Lisboa foi o porto que mais contribuiu para o crescimento global do número de escalas, registando mais 192 escalas do que em 2018 (mais 8%), seguido de Douro e Leixões (mais 1,2%), Setúbal (mais 1,3%) e Viana do Castelo (mais 8,7%). Aveiro, Figueira da Foz, Faro e Portimão registaram, no seu conjunto, menos 143 escalas.

Considerando os registos de 2019, a quota mais elevada é detida pelos portos de Douro e Leixões e Lisboa, ambos com 24,4% do total, seguido de Sines (19,9%), Setúbal (14,4%) e Aveiro (9,7%).

A variação global negativa do volume de carga movimentada no ano de 2019 face a 2018, resulta da conjugação de comportamentos negativos registados nas operações de embarque e nas operações de desembarque, incluindo transhipment, que observam quebras respetivas de 7,1% e de 5,5%.

O comportamento do fluxo de embarque, que inclui a carga de exportação, registou uma quebra global protagonizada, essencialmente, pela carga contentorizada de Sines que diminui 2,4 milhões de toneladas, representando 64,2% do total da carga embarcada ‘perdida’. Em termos de variações positivas, destacam-se as operações de embarque na carga contentorizada em Leixões, Lisboa e Setúbal, que registam respetivamente mais 207,5 mil, mais 126,5 mil e mais 91,8 mil toneladas. Estas operações representam 40,7% do total de variações positivas registadas nos embarques de carga.

No segmento das operações de desembarque, merece particular referência o acréscimo registado no mercado dos produtos petrolíferos de Sines, com um acréscimo de 2,5 milhões de toneladas e correspondente a 67,6% do total das variações positivas. Com variações negativas surgem os já referidos mercados de carga contentorizada, carvão e petróleo bruto, com diminuições de, respetivamente, 2,5, 1,9 e 1,4 milhões de toneladas, representando 87% do total das quebras.

Viana do Castelo, Figueira da Foz, Setúbal e Faro são os portos que apresentam um perfil de porto ‘exportador’, registando um volume de carga embarcada superior ao da carga desembarcada, com um quociente entre carga embarcada e o total movimentado, no período em análise, de 65%, 69%, 53,2% e 100%, respetivamente.

Acresce sublinhar que, no seu conjunto, estes portos detêm uma quota de carga embarcada que se situa na casa dos 14,6%, sendo que a Setúbal cabe 9,8% desta quota.
por: Pedro Venâncio
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