sexta-feira, 3 de Abril de 2020

 
Reta
Carga & Mercadorias
02-01-2020
Sustentabilidade
Patente suíça promete reduzir 90% das emissões nocivas no transporte de mercadorias
Dois cientistas da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, desenvolveram um sistema para capturar o dióxido de carbono emitido pelos camiões no transporte de mercadorias. Composto por uma cápsula e um tanque colocados na lateral e parte superior da cabina, este sistema promete converter o CO2 gasoso em líquido, que será depois armazenado e entregue numa estação de serviço, podendo ser novamente transformado em combustível.

A ideia – já patenteada – está em fase de conceito, encontrando-se os responsáveis em busca de investidores para desenvolverem o primeiro protótipo. Segundo um artigo científico, escrito pelos responsáveis e citado pelo Público, “entre os desafios da transição energética, a redução das emissões de CO2 vindas dos transportes está entre os objetivos mais difíceis”.

Numa Europa onde os transportes são responsáveis por quase 30% das emissões de CO2, 72% provêm do transporte rodoviário. Para travar este problema ambiental, François Maréchal e Shivom Sharma explicam que o sistema de captura de gases funcionará da seguinte forma: em primeiro lugar, os gases de escape são arrefecidos e a água separada dos gases. Posteriormente, através de um processo designado de “adsorção por oscilação da temperatura”, é separado o CO2 do nitrogénio e do oxigénio com um material metal-orgânico adsorvente.

Quando o material adsorvente ficar saturado de CO2, é então aquecido para que se extraia, a tempo, o CO2, e se consiga convertê-lo do estado gasoso para o líquido. O dióxido de carbono em estado líquido é então armazenado num tanque instalado por cima da cabina do motorista e entregue e convertido em combustível fóssil numa estação de serviço. Esta última fase pode ser feita através de eletricidade proveniente de fontes renováveis.

Ao mesmo órgão de comunicação, François Maréchal garante que “o peso da cápsula e do tanque é de apenas 7% da carga do veículo” e que o sistema está a ser concebido para viagens até “250 quilómetros durante oito horas”.

Embora o sistema esteja a ser projetado para ser instalado em camiões, em teoria, poderá igualmente ser adaptado a autocarros, embarcações e até comboios. “A vantagem deste sistema é que, ao contrário dos [sistemas] elétricos ou com base no hidrogénio, pode ser instalado nos camiões já existentes para neutralizar o impacto das emissões de carbono”, refere o artigo assinado pelos dois cientistas.

A projeção do sistema está agora dependente de uma fonte de financiamento. “Agora tudo depende dos investidores. As tecnologias já existem, mas precisamos de produzi-las em massa para chegarmos ao mercado”, realça François Maréchal. “Ao mesmo tempo, precisamos de desenvolver uma logística para converter o CO2 de novo em combustível fóssil através de energias renováveis”. Quanto ao preço, o investigador não avança números, referindo apenas que “precisamos de uma produção em massa e de torná-lo atrativo para os donos dos camiões”.
por: Pedro Venâncio
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