sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019

 
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Carga & Mercadorias
27-11-2019

10.ª edição
WConnecta regressa a Barcelona sob a alçada do Alpega Group
A 10.ª edição do WConnecta foi a primeira sob o comando do Alpega Group. Crescer de forma orgânica é a meta para 2020, numa altura em que o grupo tenta integrar as mais-valias de cada uma das suas três bolsas de carga.



O WConnecta regressou a Barcelona para a sua 10.ª edição – a mais internacional de sempre – e a primeira sob o comando do Alpega Group, depois da aquisição da Wtransnet, em 2018. No Centre de Convencions Internacional de Barcelona (CCIB), o certame juntou 260 empresas e 700 profissionais credenciados do setor do transporte rodoviário de mercadorias.

O maior evento de networking na Europa da especialidade juntou pela primeira vez empresas associadas das três bolsas de carga que compõem o Alpega Group (123Cargo/Bursa, Teleroute e Wtransnet). Com a fusão da Wtransnet, a comunidade do grupo cresceu para mais de 70 mil empresas, mantendo o objetivo de tornar as rotas mais eficientes e sustentáveis do ponto de vista logístico e financeiro.

Em conferência de imprensa, Fabrice Douteaud, diretor de Operações do Alpega Group, frisou que “o WConnecta é a melhor representação da atividade do setor de bolsas de cargas, transposta para um espaço físico durante um dia. Uma fórmula de sucesso que este ano celebra a sua décima edição e resume a nossa filosofia enquanto grupo”. Orgulhoso, salientou ainda que “é incrível ver como o trabalho [relacionamentos, reuniões, contactos], que de outra forma demoraria meses a concluir pelas empresas, é efetuado num único dia. É impressionante ver as melhores empresas de logística e transporte da Europa, juntamente com as da indústria auxiliar, num só evento”.

Segundo o responsável, «promover o transporte e criar uma rede europeia cada vez maior» são os objetivos do Alpega Group, agora constituído por três bolsas de carga. «Juntas, criam uma rede diversa», acredita.

Depois da integração da Wtransnet, «o trabalho foi árduo» para unir todas as bolsas de carga. Todavia, a união das três permite ao Alpega Group «melhorar as soluções para os clientes», disse Fabrice Douteaud. Ainda sobre a integração da Wtransnet, no Alpega Group, o mesmo referiu que, «desde março, 99% da integração está completa» e que «o balanço é extremamente positivo», existindo atualmente «maior interesse» das empresas europeias em associar-se ao grupo.



«Crescer organicamente» e «apostar na qualidade» do serviço prestado pelos associados, vão continuar a ser os objetivos do grupo. «Queremos ser os melhores, não os maiores», reforçou Douteaud. Atualmente, o Alpega Group está em «processo de aprendizagem», ou seja, «estamos a integrar o melhor que cada uma das três bolsas de carga tem para oferecer». Da mesma forma, o grupo continua a trabalhar junto dos seus associados, auxiliando-os a reduzir consumos de combustível e viagens em vazio pela Europa, bem como a desenvolver sinergias com novas empresas.

Questionado sobre o Brexit e um possível impacto no transporte rodoviário de mercadorias, Fabrice Douteaud referiu que «não tem havido, até ao momento, qualquer alteração nem queixas por parte das empresas. Estamos cá para ajudar os nossos parceiros». Todavia, o mesmo alertou que «há que balancear os fluxos que circulam entre a Europa e o Reino Unido».

A organização do certame afirmou que “o WConnecta teve a maior participação internacional de sempre”, com um total de 21 países representados. Portugal, Itália e Polónia foram os países com a maior percentagem (55%) de empresas não espanholas presentes no certame. Países como a Lituânia, Roménia, Hungria, Alemanha, França, Holanda e Bélgica estiveram igualmente presentes.

No total, foram realizadas 5.980 entrevistas rápidas nas rondas de Speed Networking e 900 entrevistas privadas na Cargo Area entre operadores de logística e fornecedores de transporte de toda a Europa. “O compromisso do Alpega Group é continuar a trabalhar para facilitar a comunicação e a interação entre transitários e transportadoras, proporcionando maior eficiência e rentabilidade ao setor dos transportes”, reforçou a organização.



Uetrans e Faria Alves representaram Portugal
Sediada em Vialonga e com filial na Maia, a empresa de transporte de grupagem internacional Uetrans marcou presença no evento. À Transportes em Revista, Rui Toscano, business development manager, confessou que os objetivos da Uetrans no WConnecta foram «conhecer mais parceiros e procurar soluções para tráfegos que já temos ou que possamos vir a desenvolver». Além disso, o evento é ideal para «perceber como é que o mercado se está a desenvolver noutros países».

Pelo segundo ano consecutivo, a empresa portuguesa marcou presença no WConnecta. «No ano passado correu muito bem. Desenvolvemos algumas parcerias que ainda mantemos e que temos vindo a consolidar, razão essa porque quisemos voltar outra vez», esclareceu Rui Toscano. Na presente edição, «já realizámos muitas entrevistas. Agora, é necessário fazer o trabalho de casa: estabelecer contactos, pedir preços, distribuir tarifas». Para Rui Toscano, «este é um modelo muito bom porque podemos contactar diretamente com as empresas que referenciámos, mas ao mesmo somos ‘obrigados’ a estabelecer contactos com outras que, à partida, não estaríamos alertados». Cauteloso, o responsável afirma que «o desenvolvimento e a sustentabilidade económica preocupam-nos, quer a nível nacional, quer a nível europeu. Da nossa parte, o grande desafio passa por encontrar e inventar soluções, mas para isso precisamos de parceiros em que possamos confiar. É preciso criatividade e coerência junto dos clientes, porque operamos num mercado muito agressivo em preço. O facto de estarmos abertos a novos horizontes, não significa que não tenhamos que ter os pés bem assentes no mercado». A transportadora Faria Alves, da Póvoa de Varzim, também esteve representada no WConnecta 2019. Pela primeira vez no evento, o responsável Ricardo Alves mostrou-se confiante: «já tivemos contacto com várias empresas, quer transportadores, quer transitários, e esperemos que estes deem frutos. Pela primeira abordagem, parece-nos que teremos vários negócios e margem de progressão com as empresas com quem falámos».

Também a Faria Alves considera que «o mercado está cada vez mais complicado para se realizarem negócios, quer na bolsa de cargas, quer com o transitário, quer com o cliente direto, que muitas das vezes tem um preço igual ao nosso preço de custo». Na opinião de Ricardo Alves, «o transporte de mercadorias em Portugal, pelo menos para uma pequena empresa familiar como nós, está complicado, mas estamos aqui para dar o nosso melhor. Viemos na expetativa de encontrar aqui novos parceiros que nos façam pensar no futuro de uma forma mais positiva».


DISCURSO DIRETO

Manuel Fontes, Area Manager da Wtransnet
Depois da integração no Alpega Group, em 2018, a Wtransnet viu crescer o número de associados a nível nacional, ibérico e europeu. Consolidar o mercado internacional é um dos objetivos da bolsa de cargas para 2020.

Transportes em Revista (TR) – Qual o posicionamento da Wtransnet no mercado ibérico?
Manuel Fontes (MF) –
Apesar do mercado ibérico ser maduro, a Wtransnet é líder de mercado. Somos a principal bolsa de carga para o transporte terrestre, isto é, para encontrar camiões de forma imediata. Além disso, somos a única bolsa que trabalha exclusivamente com empresas do setor e que põe em contacto transportador e transitário.

TR – A aquisição pelo Alpega Group repercutiu-se na atividade da Wtransnet?
MF –
Sem dúvida. Desde logo, aumentámos o número de associados em Portugal, de 900 para 1.060. Desde o início do ano, o grupo decidiu que empresas portuguesas e espanholas ficariam com a plataforma Wtransnet, mesmo aquelas que tinham Teleroute, e empresas além Pirenéus, teriam Teleroute. Para quem opera no mercado ibérico, francês e do Benelux, oferecemos a possibilidade de poder aceder ao volume das duas bolsas de carga, por um importe superior. Para os novos associados oferecemos a solução conjunta.

TR – Um dos graves problemas ao nível do transporte rodoviário de mercadorias está relacionado com as viagens em vazio. Segundo um estudo do Ministério do Fomento, de Espanha, esta tendência tem vindo a diminuir. Qual o motivo para esta diminuição?
MF –
O organizador de transporte já começa a olhar para o transporte de forma diferente, isto é, cada vez mais as empresas organizam as suas viagens de maneira a que, num só transporte, o motorista realize três cargas e três descargas, maximizando a deslocação.

TR – A atividade das bolsas de carga tem aqui um papel significativo...
MF –
Exato. A Wtransnet ajuda as empresas a rentabilizar esses quilómetros em vazio, facultando as ofertas de carga e transporte na plataforma e através da rede de 70 mil empresas europeias do Alpega Group.

TR – Quais os objetivos da Wtransnet a curto/médio prazo para o mercado ibérico?
MF –
Os nossos objetivos passam por consolidar a posição de mercado, manter a confiança dos associados, crescer gradualmente, e apresentar outros produtos, como é o caso do Doc & Data (serviço de homologação de fornecedores). Além disso, estamos a equacionar novas soluções para cargas mais pequenas, uma vez que a carga completa está a diminuir fase à carga parcial e à palete.

TR – Quais as principais preocupações dos associados da Wtransnet?
MF –
Notamos que há uma preocupação grande por parte dos nossos associados transportadores pela atual carência de motoristas que caracteriza o setor, devido à desigualdade salarial nos diversos países da Europa. Além disso, também a diferença do preço do gasóleo em Portugal em Espanha inquieta alguns dos associados nacionais.

TR – Onde pode a Wtransnet/Alpega Group alargar a sua rede de associados?
MF –
A Wtransnet é um player do setor do transporte de mercadorias que está, sempre que possível, presente em congressos e feiras do setor. Contudo, começamos a marcar presença em certames industriais onde as empresas presentes necessitam muito de transportadores. Para conseguirmos resultados diferentes temos de trabalhar de forma também diferente.

por Pedro Costa Pereira e Pedro Venâncio
 
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