sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019

 
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Carga & Mercadorias
27-11-2019

17.º Congresso da APAT
Digitalização e cooperação são fatores críticos de sucesso para os transitários
O Algarve recebeu o 17.º Congresso da APAT – Associação dos Transitários de Portugal, um evento que reuniu cerca de 200 participantes e onde se falou dos principais desafios que os transitários portugueses têm pela frente. Para a APAT, a digitalização deve ser encarada como um meio para melhorar o negócio ?das empresas transitárias e para as aproximar dos seus parceiros, clientes e instituições.



Sob o tema “O Transitário Digital e Colaborativo”, os transitários portugueses reuniram-se em Portimão no 17.º Congresso da APAT, entre 11 e 12 de outubro. Num setor que movimenta 2.160 milhões de euros e que representa 1,1% do PIB nacional, está a verificar-se uma mudança de paradigma, assente na digitalização, tal como referiu Bruno Horta Soares, conselheiro executivo da IDC, que durante a conferência salientou que «a médio prazo, 50% do PIB mundial será gerado através da economia digital». E num universo de transitários, que conta com 355 empresas, esta transição afigura-se como um dos principais desafios para os próximos anos. No entanto, o setor aspira por uma maior flexibilidade, mais informação e transparência e não quer que o efeito do digital signifique que seja colocado de lado o relacionamento pessoal com o cliente, uma vez que esta dinâmica significa uma das grandes mais-valias das empresas transitárias: a confiança.

Para Ana Paula Raposo, subdiretora geral da Área de Procedimentos Aduaneiros da Autoridade Tributária, «o transitário digital tem um papel cada vez mais importante na cadeia logística», salientando que «é o elo permanente», dando como exemplo o facto de os procedimentos ao nível das alfândegas serem já de âmbito comunitário e estar a ser realizado um grande esforço para que estes mesmos procedimentos sejam mais simples e menos burocráticos. Exemplo de menos burocracia e mais agilidade e flexibilidade é a Janela Única Logística (JUL), projeto que estará a «funcionar em pleno no próximo ano» e que «irá permitir um salto tecnológico, nomeadamente na ligação entre os portos e todos os elos da cadeia logística», conforme referiu José Simão, da DGRM.

Mas, além da digitalização, os transitários clamam também por uma maior cooperação entre todos os agentes económicos. José Luís Moreira da Silva, sócio da SRS Advogados, admitiu que é necessário passar «do transporte unimodal para o multimodal» e que a colaboração entre todos é a solução. Também Nuno David, diretor-geral da Yilport, referiu que a eficiência alcança-se «se todos trabalharem juntos no transporte da carga» e «na troca de informação de uma forma próativa». Já Nadim Habib, professor da Nova School of Business and Economics, salientou que «é preciso mudar mentalidades» e «que em Portugal, trabalhamos muito mas produzimos pouco» e que esse é um problema organizacional e não colaborativo. O congresso contou ainda com as presenças de Artur Alves, da MixMove, Duarte Rodrigues, do Grupo Sousa, José Pedro Aguiar Branco, da JPAB Associados, Luís Teixeira, da F. Rego, Dalila Tavares, da Luís Simões, Vítor Guimarães, da Brasmar, Cristina Silva, da Universidade Católica Portuguesa, André Costa e Ricardo Leonardo, da ISCTE Junior Consulting, e Bruno Aires, da TAP Cargo.

Para o presidente da APAT, Paulo Paiva, «a digitalização deve ser encarada como um meio para melhorar o nosso negócio, para nos aproximar dos parceiros, clientes e instituições. Deve ser integrada nas nossas empresas sendo errada a perceção que é um negócio autónomo que vem substituir a nossa atividade principal». O responsável acrescentou que «definitivamente, um ambiente colaborativo digital é um fator verdadeiramente disruptivo e diferenciador e que constitui uma vantagem para as empresas. Hoje as empresas, colaboradores, clientes e parceiros convergem, colaboram e comunicam num mundo digital – mundo esse que se pretende que seja um espaço tecnologicamente seguro, ágil, produtivo e envolvente. Uma solução colaborativa deixou de ser apenas sinónimo de uma aplicação de mensagens rápidas para passar a múltiplas aplicações de negócio que tiram partido da interatividade de vários intervenientes e de várias fontes, otimizando o resultado final em função dos contributos de cada parte envolvida. Algumas vantagens destas aplicações traduzem-se na agilidade de processos, no evitarem duplicações, e na automatização de tarefas rotineiras, reduzindo gastos e aumentando a produtividade».

No entanto, Paulo Paiva, adianta que apesar do esforço dos agentes económicos, existe um elo mais fraco: as infraestruturas aeroportuárias, marítimas e ferroviárias. «Desempenham a sua função, vão servindo, colocando maiores ou menores problemas aos seus utentes, condicionadas pela lentidão dos decisores políticos. Como uma reza, repito para mim persistentemente: precisamos de um permanente desenvolvimento dessas infraestruturas, com adequados e criteriosos investimentos naquelas que se possam assumir como verdadeiras aceleradoras do crescimento da nossa economia. O futuro do nosso país depende do crescimento do tecido empresarial por via das exportações. O nosso setor precisa de ter condições para apresentar soluções logísticas», salienta Paulo Paiva.

Também o presidente-executivo da APAT, António Nabo Martins, reflete que há «a necessidade e relevância de divulgar, atualizar e capacitar os profissionais para as transformações tecnológicas que se avizinham. Perceber muito bem que caminho fazer, mas acima de tudo perceber qual caminho a fazer e como se quer fazer. Ficou claro que as pessoas são fundamentais para todo este processo».

Segundo Nabo Martins, «existe a necessidade de estabelecer parcerias win-win, em que muitas vezes sendo concorrentes somos igualmente parceiros, desde que seja bom para ambas as partes. Existe também a necessidade da união, de criar uma associação forte de forma a poder defender mais energicamente os interesses dos seus associados». No âmbito externo, o presidente-executivo da APAT reflete que que continua a existir uma lacuna de alternativas intermodais, «sejam short sea, rodoviárias ou ferroviárias, pois até podemos ter o produto, o preço, o marketing e a I&D, mas se não temos os meios de levarmos esses produtos ao cliente, não poderemos crescer nos mercados internacionais. Saliento ainda a necessidade de maior cooperação e rapidez entre as várias entidades públicas, nomeadamente na libertação de mercadorias e facilitação de circulação de bens».

A APAT refere ainda que pretende criar e desenvolver mais plataformas de colaboração com a DGRM, nomeadamente no âmbito da JUL – Janela Única Logística e zelar pela “implementação de um contrato coletivo de trabalho ajustado à realidade dos nossos dias, mas também a pensar no futuro. Estamos já num processo de análise e avaliação, acreditando que até final do ano 2020 teremos um novo CCT”.



Transitários dão nota “muito positiva” ao 17.º Congresso da APAT
A maioria dos congressistas mostrou-se extremamente satisfeita com os temas escolhidos, a ordem dos trabalhos e a organização do congresso no Algarve. Em declarações à Transportes em Revista, Ana Gonçalves, business director da Euroatla, revelou que «este congresso caracterizou-se pela relevância dos temas e qualidade dos oradores. Gostei particularmente do painel das estratégias colaborativas, que poderíamos ter continuado a explorar durante mais um dia sem esgotar o tema. Num futuro congresso, gostaria de ver abordado o tema dos recursos humanos nos transitários, e também que desafios e oportunidades se depara o setor numa atualidade cada vez mais marcada pelas guerras comerciais».

Já Henrique Cardoso, administrador da Lusocargo afirma que «gostei dos temas que foram tratados nos diferentes painéis e da qualidade de alguns, muitos, dos intervenientes». No entanto, deixa uma ressalva: «não gostei da logística do congresso e do facto de não ser em sala do mesmo hotel que decorressem as sessões do congresso. Perdeu-se tempo e criou-se algum desconforto». Para o administrador da Lusocargo, existem vários temas que poderiam vir a ser discutidos num próximo congresso, como por exemplo, «o Brexit, se na altura ainda for tema, o impacto de situações relativas a transportadores rodoviárias nas empresas transitárias, nomeadamente o preço dos combustíveis, contratação coletiva, horários e novas regalias dos motoristas e legislação europeia para circulação de pesados. Outros temas como a contratação entre transitários portugueses e grupos armadores internacionais, as vantagens e desvantagens de os transitários serem reconhecidos como agentes de carga aérea, a colaboração ou fusão com outras associações ligadas ao comércio internacional, os canais de comunicação a estabelecer entre a APAT e os seus associados, são alguns dos temas que podem vir à discussão».

Francisco Goarman, managing director da Pinto Basto, salientou que este «foi um congresso onde se conseguiu evidenciar a importância que o digital vai ter no nosso setor. Na minha opinião, pensar nos transitários sem pensar na sua digitalização, é não ter a visão correta do futuro do setor e daí a importância que este congresso teve, pois abordou isso mesmo. Mesmo sabendo todos da importância que a digitalização terá no nosso setor, é importante demonstrar e reforçar a importância que as relações humanas têm atualmente e que continuarão a ter no futuro do setor a todos os níveis (operacional, comercial, etc…), e qual o impacto que cria nas empresas suas clientes».

Por seu turno, Zubeir Rashid, membro da direção da OT&T Cargo, elogiou a organização do 17.º Congresso da APAT, referindo que este «nunca desilude» e que a APAT «é uma associação que está voltada para os associados, de braços dados com os interesses, necessidades e ambições dos seus associados». O responsável adianta que o congresso «refletiu o espírito e a missão da APAT e demonstra que esta associação continua atenta aos temas da atualidade» e que os temas levados a debate «indicaram claramente o caminho que deve ser desbravado e o modo como o devemos percorrer. Foi sem dúvida um excelente congresso, muito positivo e que, como é habitual, foi ao encontro das expetativas da OT&T Cargo». Zubeir Rashid, deixa ainda um conselho: «a OT&T Cargo e seguramente os demais associados da APAT estão já por esta altura a preparar a estratégia comercial, financeira e tecnológica para 2020. No âmbito da cadeia logística, da atividade transitária e dos transportes de uma maneira geral, a digitalização continua a liderar o caminho e fará com certeza parte da estratégia da grande maioria das empresas. Seria importante que APAT liderasse o caminho também nesta vertente. Os transitários têm consigo o bem mais importante da cadeia logística, os dados e a informação do processo door-to-door do comércio internacional. Seria interessante começar a pensar-se numa forma de agregar, analisar e utilizar esses dados como alavanca da operação logística e, em última análise, da atividade transitária».

Cristina Castro, managing director da Seaworld, corrobora da opinião dos seus colegas transitários, relativamente aos temas escolhidos e à qualidade dos oradores convidados, mas deixa um tema polémico, para abordar num próximo congresso. Segundo Cristina Castro, «acho que no próximo congresso deveremos refletir sobre o uso abusivo por parte dos armadores dos recursos humanos dos transitários e dos seus sistemas informáticos. Cada vez mais os armadores, em nome da tal digitalização e avanço tecnológico, transferem para os transitários as tarefas que antes eram efetuadas pelos seus funcionários. São os transitários que carregam os sistemas informáticos dos armadores com os bookings, a elaboração do B/L, as respetivas alterações e o que temos em troca? Nada».

por Pedro Costa Pereira
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