sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019

 
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Passageiros & Mobilidade
26-11-2019

Madeira
Horários do Funchal inicia renovação de frota e dá o salto para a mobilidade elétrica
Na véspera da apresentação do novo e sui generis autocarro para passageiros com mobilidade reduzida, a Transportes em Revista conversou com a administração da Horários do Funchal sobre as singularidades de operação na Madeira, o lançamento de novos concursos e a transição para a mobilidade elétrica.



A orografia natural da Madeira não é uma desculpa para as dificuldades de operação da Horários do Funchal, mas uma realidade.

Em jeito de conversa, – e depois da tradicional visita pelo parque, oficinas e escritórios, Alejandro Gonçalves, Duarte de Faria Sousa e Susana Pinto Correia, presidente e administradores da Horários do Funchal –, explicaram os constrangimentos com que os autocarros da Horários do Funchal se deparam todos os dias.

«As pessoas não têm noção, nem conhecem a realidade. Nem mesmo os próprios residentes da Madeira. As pessoas não têm consciência como é operar um serviço regular com estas características, restrições e constrangimentos». Segundo a administração da Horários do Funchal, «o nosso material circulante tem um desgaste superior ao de outras empresas». Sempre que a renovação da frota está em causa, a empresa tem de lançar concursos com especificidades como em nenhuma outra região. «Os veículos não podem ser comprados lá fora, não podem ser comprados usados, e são sempre mais caros, porque são feitos à medida das nossas necessidades».

Atualmente, a Horários do Funchal tem uma frota de 156 autocarros urbanos, incluindo veículos especiais para pessoas com mobilidade reduzida e viaturas elétricas. Além disso, opera 59 autocarros interurbanos e 29 de turismo. Nos seus quadros, trabalham mais de 250 motoristas e 86 colaboradores nas oficinas.

«Nós fazemos os possíveis e os impossíveis, não só para acompanhar a evolução tecnológica, como também para proporcionar o maior conforto aos passageiros. O retorno que desejamos é que a velocidade comercial dos nossos autocarros seja também a melhor, porque se os passageiros demorarem muito tempo a sair das viaturas, a velocidade comercial desce e os custos sobem».

Cientes da dificuldade que é as pessoas reconhecerem o seu trabalho, a Horários do Funchal criou o departamento comercial. «Considerámos que havia falta de informação e comunicação com os utentes, e é imperativo explicar como funciona a Horários do Funchal». Ainda assim, a administração reconhece que «há ainda muito trabalho pela frente», mas frisa que «é preciso conhecer a realidade do nosso serviço». À parte dos constrangimentos, a administração considera taxativamente que «o serviço da Horários do Funchal é um serviço de excelência, comparado com outros congéneres». Todavia, «é difícil informar e promover isso ao passageiro. O pensamento das pessoas é unicamente que o serviço tem de ser feito, não interessa como, mas tem de ser feito».

Mudar a mentalidade das gerações mais jovens pode ser um caminho a seguir. «Temos aberto as portas a várias escolas e incentivado a que estas nos visitem e conheçam o nosso dia a dia. É importante que as novas gerações tenham conhecimento e perceção do que é o nosso serviço».



A mobilidade elétrica
A presença de veículos elétricos nas frotas das empresas de transporte público em Portugal começa a ser uma realidade. Carris, STCP, TUB ou SMTUC são algumas das empresas que já deram o passo para a mobilidade elétrica zero emissões. A Horários do Funchal não quis ficar fora da corrida e, recentemente, colocou ao serviço cinco mini autocarros elétricos Jest Electric.

À Transportes em Revista, a administração esclareceu que «os Jest vão operar em circuito citadino, no centro Funchal, mais precisamente entre o Largo da Paz, ao início da Estrada Monumental, e a Zona Velha, junto ao teleférico do Monte – nas linhas 05 (Eco Cidade Antiga) e 05A (Eco Cidade)». Ambas as linhas são essencialmente planas e sem declives acentuados, ideais para a circulação destes veículos, pelo que a Horários do Funchal não prevê problemas na circulação.

Confrontada sobre o salto para a mobilidade sustentável, a administração da Horários do Funchal antevê que «um dia há de ser... Nós não somos contra a mobilidade elétrica, prova disso é a aquisição destas cinco novas viaturas. A dificuldade está em arranjar veículos apropriados e que consigam realizar várias carreiras. Circular no centro do Funchal é fácil...».

Os cinco Karsan Jest Electric são resultado de um investimento de «1,250 milhões de euros, sem qualquer comparticipação. Ao melhorarmos a oferta, esperamos que a procura por parte dos passageiros também aumente. Este equilíbrio é necessário».

Apesar do avultado investimento, a Horários do Funchal acredita na fiabilidade destas viaturas, ainda assim, lamenta: «infelizmente o preço destes autocarros não encolhe proporcionalmente ao comprimento». [risos]

Em relação à infraestrutura de carregamento, a Horários do Funchal afirma ter gasto «muito pouco», uma vez que vai aproveitar os três postos de carregamento garantidos pelo Fundo Ambiental, aquando da entrega dos três Renault Zoe, que compõe a sua frota administrativa. «Temos um posto de carregamento à entrada, em pleno funcionamento, capaz de carregar duas viaturas em simultâneo (2x 22 kWh). No parque coberto temos mais dois postos balanceados, também estes capazes de carregar até duas viaturas simultaneamente (1x 22 kWh ou 2x 11 kWh, cada posto). Desta forma, conseguimos ter todos os Karsan a carregar ao mesmo tempo, caso seja necessário».

E se a frota aumentar? «Se a frota aumentar... vamos ter de repensar a nossa estratégia. Uma das dificuldades da mobilidade elétrica ainda é a infraestrutura, que pesa cerca de 25% do custo total da operação. Além disso, um autocarro elétrico custa o dobro de um autocarro a diesel. Se adquirirmos dois, o custo não duplica, quadruplica».

A administração da Horários do Funchal deixa ainda antever a dificuldade que é controlar os custos de carregamento das viaturas elétricas da rede. «Enquanto conseguimos controlar diretamente os consumos de cada autocarro e saber com quantos litros foi abastecido, com um elétrico isso não acontece. É preciso aceder à rede MOBI.E para saber quanto é que as nossas matrículas consumiram e colocar essa informação numa folha de Excel...»



A inviabilidade do uso de gás natural
Inviável, no parecer da Horários do Funchal, é a opção por viaturas a gás natural. «Não rejeitamos veículos a gás natural, mas a Madeira não tem gás natural disponível para abastecer autocarros». Assim, a própria administração questiona: «é a Horários do Funchal quem tem de investir numa estação de gás para abastecer dez autocarros que venha a adquirir? Como é que é possível haver retorno desse investimento? Nunca na vida será possível!» Para empresa, a fiabilidade de um projeto desta natureza tem de ser pensado em conjunto com diversas entidades, operadores e o Governo Regional.

Contudo, «a opção pelo gás natural não tem exclusivamente a ver com a sua disponibilidade». Esclarece a Horários do Funchal que, «normalmente, os autocarros a gás natural são de tipologia standard de 12 metros, ou seja, não se coadunam às nossas singularidades». Para os responsáveis, «a Madeira é um bom laboratório para algumas indústrias, mas fazer laboratório de indústria pesada é um risco e financeiramente complicado».

Concursos em marcha
No início do mês de setembro, a Horários do Funchal viu encerrar o prazo do concurso público para a aquisição de 30 autocarros de 10,20 metros, low entry, no valor global de 7,8 milhões de euros. Sabe a Transportes em Revista que foram apresentadas duas propostas. Segundo a revelou a empresa, «a previsão de chegada desta viaturas está marcada para setembro do próximo ano». Além deste concurso, a Horário do Funchal tem planeado, «até ao final deste ano», um novo concurso para aquisição de outros «30 autocarros de 11 metros, de tipologia low entry». Recorde-se que a empresa tem em curso a renovação total da sua frota através da aquisição de 129 novos autocarros até 2022.

por Pedro Venâncio
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