sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019

 
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Passageiros & Mobilidade
26-11-2019

Entrevista a Jacob Bangsgaard, CEO da ERTICO – ITS Europe
«Portugal é hoje considerado um dos pioneiros nos sistemas de mobilidade inteligente»
O 14.º Congresso ITS vai ser organizado em Lisboa entre os dias 18 e 20 de maio de 2020. A entidade promotora ERTICO – ITS Europe*, em parceria com a ITS Portugal, promoveram um open day em setembro, no qual falámos com o CEO da ERTICO, Jacob Bangsgaard.



Transportes em Revista (TR) – Qual o principal objetivo da ERTICO – ITS Europe?
Jacob Bangsgaard (JB) –
A ERTICO foi criada há quase 30 anos pela comissão europeia por um grupo de stakeholders que queria trazer inteligência ao sistema de transportes, utilizando novas tecnologias, novas comunicações, protocolos para fazer a mobilidade mais inteligente e limpa.

TR – A ERTICO está empenhada em ser um agente da mudança da indústria, das autoridades públicas e da investigação que trabalham para o progresso da mobilidade mais inteligente. Como desenvolvem este trabalho motivador?
JB –
Há grandes mudanças a acontecer no setor da mobilidade atualmente e isto é devido à maneira como estamos ligados em todo o lado, a toda a hora. Temos visto muita automoção e muitos dados têm sido recolhidos e usados para fazer serviços de mobilidade mais inteligentes. A ERTICO tem aí um papel importante porque precisa de mais stakeholders para conduzir a mobilidade para um caminho diferente daquele que fizemos no passado.
Ao mesmo tempo, tem havido uma mudança no consumo de mobilidade, da mesma forma que temos visto acontecer na música, na televisão e outros meios onde os consumidores esperam que tenhamos soluções mais inteligentes. E soluções mais inteligentes significa que estamos a utilizar os sistemas de mobilidade ao invés de necessitarmos de ser proprietários do meio em que nos movemos. Aqui, estamos a falar da micromobilidade, do carsharing, etc. As pessoas não precisam de ter viatura ou bicicleta próprias, sobretudo nas grandes cidades.

TR – Quais serão os objetivos principais no setor dos transportes nos próximos anos?
JB –
O nosso objetivo deverá ser criar cidades onde se viva melhor, o que é um grande desafio, sobretudo quando pensamos em organizar cidades onde cada vez mais pessoas vivem e colocam grande pressão nos sistemas de mobilidade. Compete-nos a nós, stakeholders, encontrar soluções inteligentes para enfrentar alguns dos desafios que vamos ter. Se não fizermos isso, não teremos a qualidade do ar desejável, não teremos um sistema de transportes fluente como gostaríamos e isso fará as nossas vidas mais complicadas no futuro. Com conetividade, partilha de informação, automação e cooperação teremos a oportunidade de não apenas ter melhores ruas no futuro, mas usar realmente a mobilidade de maneira diferente e fazê-la mais inteligente.
E ainda evitar a circulação de carros com apenas uma pessoa ou tentarmos dar a oportunidade às pessoas de mudar do seu carro particular para outro meio de transporte. Isto é uma maneira de o fazer mais inteligente e isto é algo que podemos fazer em conjunto. É por isso que a ERTICO está a juntar os diferentes setores para conseguir alcançar isso.

TR – Considera que está a acontecer uma revolução na mobilidade?
JB –
O utilizador já está a assistir a uma revolução, mas para nós, que estamos a desenvolver a tecnologia, é mais uma evolução. O que vemos hoje de tecnologia nos veículos é fruto de um trabalho de mais de duas décadas de investigação. Nós que trabalhamos no setor vemos a chegada ao mercado como uma evolução. Hoje em dia temos muita tecnologia e sabemos o que fazer com ela. Muitas vezes o que falta é a legislação, mas será sempre uma questão de tempo até existir.

TR – Os transportes públicos e as autoridades estão preparadas para o MaaS (Mobility as a Service)?
JB –
Quando há quatro anos na Europa começámos a desenvolver MaaS obtivemos muita resistência das cidades. Recearam que estivéssemos a desenvolver um conceito de one winner takes it all que poderia competir com a existência dos transportes. Mas nos últimos tempos, temos conseguido convencê-los de que os transportes públicos são o esqueleto disto. MaaS é hoje muito mais desenvolvido pelas cidades e pelos operadores do que era há quatro anos. Para tudo isto funcionar, precisamos que 99% da mobilidade seja transporte público.

TR – Qual o impacto da MaaS na economia?
JB –
Ter uma cidade mais voltada às pessoas é bom para a economia da cidade. Há um grande negócio na mobilidade e as cidades querem cada vez mais ter um papel ativo no ecossistema e estão cada vez mais lado a lado com os novos modos de transporte, integrando-os nos seus tarifários. As cidades têm a oportunidade de não apenas gerir rotas, mas ser verdadeiramente parte da procura para serviços específicos e consequentemente mais dinheiro.

TR – O 13.º Congresso ITS aconteceu no passado mês de junho, pode fazer um balanço?
JB –
Fazemos o Congresso ITS desde 1999. Eu participei em 12 dos 13 congressos e pude assistir a uma mudança grande do número de participantes e na qualidade das participações, porque antes era muito uma discussão entre especialistas, investigadores e autoridades públicas e agora temos cada vez mais participantes dos sistemas de mobilidade e serviços. Ao mesmo tempo, mudámos o tema: antes olhávamos muito mais para a infraestrutura, para os serviços. Antigamente, era mais sobre controlo de sistemas, sistemas digitais para os veículos. Hoje é muito baseado nos serviços. Em Eindhoven, o que vimos, foi muito mais voltado para o negócio, o que é ótimo, porque é algo que temos vindo a construir no nosso congresso. Os fabricantes de automóveis procuram também cada vez mais o congresso para lançar novos serviços. Isso é uma grande mudança em relação ao passado. Estou muito ansioso pelo congresso de Lisboa, em 2020, e ver como podemos avançar e ter mais parceiros em Portugal. Penso que Portugal já é hoje considerado um dos pioneiros nos sistemas de mobilidade inteligente, mas há mais para ser feito e estamos muito contentes por fazer parte desse percurso.

por Sara Pelicano

* A ERTICO foi fundada em 1991, fruto da vontade de 15 empresas e da Comissão Europeia com o objetivo de preencher o vazio que havia entre a investigação e desenvolvimento e os serviços de mobilidade.
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