sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019

 

 
 
 
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caetano 468x60
Passageiros & Mobilidade
22-11-2019

O setor a votos
Sempre que há eleições legislativas percorremos, também por dever de ofício, os programas eleitorais dos partidos políticos, designadamente dos que poderão influenciar, de uma forma ou de outra, as políticas de mobilidade do próximo Governo.

E embora para estas eleições seja evidente uma maior visibilidade das matérias relativas aos transportes nos vários programas, repetem-se erros, imprecisões e omissões que nos deixaram naturalmente preocupados.

Uma das linhas de preocupação tem a ver com uma ausência generalizada de uma perspetiva estrutural sobre a mobilidade e os seus problemas. Todos os programas opinam, melhor ou pior, mais ou menos desenvolvidamente, sobre os temas conjunturais dos transportes, ficando por tratar aquilo que nos parecia ser uma emergência nacional, a saber, a estratégia a adotar para a mobilidade nos próximos anos em Portugal. Em nenhum dos programas se fala, por exemplo, das condições de execução do serviço público de transporte fora das áreas metropolitanas, ou de como se fará a descarbonização dos transportes que todos preconizam. Ou ainda o papel, no médio e longo prazo, do sistema tarifário e da sua interligação municipal, intermunicipal e metropolitana.

Outra preocupação diz respeito a uma excessiva colagem a apreciações meramente ideológicas dos transportes. Voltam as querelas relativamente a quem deve executar o serviço público de transporte, se empresas privadas ou de capital público. Defende-se, em mais do que um programa, a gratuitidade dos transportes, sem cuidar de antecipar as consequências socioeconómicas de tal medida; assim como as reversões das concessões, garantindo a exclusividade, nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, de empresas do Estado, sem se avaliar os impactos ou mesmo a bondade de tal medida.

Depois, os erros. Dizer que nos últimos dois anos o fundo comunitário POSEUR financiou a compra de autocarros a diesel; que se defende a abertura do mercado à iniciativa privada desde que não inclua a prestação de obrigações de serviço público; ou que a propriedade das empresas de transporte deverá ser transferida para as autoridades de transporte respetivas, é grave e indesculpável.

Uma nota final sobre o PART: nenhum partido político discorda da medida e todos defendem a cobertura do deficit tarifário através do financiamento público, o que, à partida garante a compensação das diferenças financeiras suportadas pelos operadores de transporte na venda dos títulos de transporte com desconto.

Num país em que os temas financeiros estão inevitavelmente no foco das nossas preocupações, e sempre pelos piores motivos, não deixa de ser (em tese) uma boa notícia. Vamos ver se o será na prática…

por Luís Cabaço Martins
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Comentários
27-11-2019 14:55:56 por José Dias
Como habitual é assertivo e oportuno na opinião que transmite mais uma vez no artigo publicado, só não estou tão de acordo que no que concerne às formas e conteúdos de opinião sejam assim todos iguais. Se fizer ainda um melhor esforço verificará que à forças políticas com políticos bem preparados, assim o Povo Ordene.No geral mais uma vez gostei deste artigoParabéns
  
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