terça-feira, 15 de Outubro de 2019

 
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Carga & Mercadorias
12-08-2019
44,6M de toneladas
Portos do continente com quebra de 3,9% nos primeiros 6 meses do ano
No primeiro semestre de 2019, os portos do continente registaram um decréscimo de -3,9% face a igual período de 2018, movimentando 44,6 milhões de toneladas. Segundo a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT), “esta quebra é explicada pela diminuição de petróleo bruto em Leixões e Sines e pela perda de carga contentorizada em Sines, por efeito da greve dos trabalhadores portuários do Terminal XXI”.

O porto de Aveiro merece particular destaque, após ter registado, nos primeiros seis meses deste ano, um crescimento homólogo de 62,5 mil toneladas (+2,4%), mantendo o registo de melhor marca de sempre no volume global de carga movimentada. Sines regista também neste período a melhor marca de sempre no volume de produtos petrolíferos e de outros granéis líquidos.

A nível de mercados de carga, o primeiro semestre registou desempenhos interessantes na carga contentorizada, carga ro-ro e carga fracionada em Leixões, com acréscimos de 8,4%, 18,3% e 16,6%, respetivamente. A carga fracionada em Aveiro cresceu 13,8%, cerca de 98 mil toneladas.

O porto de Sines mantém a sua quota do volume de carga abaixo dos 50%, fixando-se no mês de junho em 49,7% (-0,4 pontos percentuais face ao primeiro semestre de 2018), seguido de Leixões (21,4%), Lisboa (12,4%), Setúbal (7,9%) e Aveiro (6,1%).

Também nos primeiros seis meses deste ano, o movimento de contentores registou uma variação global negativa de -3,1% no volume de TEU’s movimentados (cerca de -1,4 milhões de TEU’s). Este desempenho é explicado não só pelo desempenho negativo da carga contentorizada em Sines, derivado das perturbações laborais observadas neste porto, como também pelos registos negativos apresentados em Lisboa, Setúbal e Sines. Neste segmento, apenas Leixões e Figueira da Foz exibiram um comportamento positivo, com acréscimos de 9,6% e 8,8%, respetivamente.

Ainda neste segmento, o porto de Sines continua a liderar, detendo uma quota de 53,3%, seguindo-se Leixões (24,3%), Lisboa (16,4%), Setúbal (5,2%) e Figueira da Foz (0,8%).

No porto de Sines continua a assistir-se a uma ligeira modificação no segmento de contentores, com uma ligeira perda de representação das operações de transhipment que assumem, no período em análise, cerca de 70% do total, isto é, -9,2 pontos percentuais do que no período homólogo de 2018, e -12,7 pontos percentuais do que no primeiro semestre de 2017. Este facto verifica-se após uma quebra de -19,3% no volume semestral do transhipment e de acréscimo de 31,8% no tráfego com o hinterland.

No que respeita ao movimento de navios, observou-se um decréscimo de -2% no número de escalas (5.306 escalas) e um aumento no volume de arqueação bruta de 0,1% (para 100,25 milhões). Os portos de Viana do Castelo e Sines registaram um crescimento no número de escalas de 2,9% e 0,9%, respetivamente. Todos os restantes registaram decréscimos.

Em termos de fluxos de carga, a variação global observada no movimento portuário no primeiro semestre de 2019 foi negativa para os embarques e desembarques, com quebras respetivas de -5,6% e de -2,6%.

A carga contentorizada e a carga fracionada em Leixões e os minérios em Setúbal, contribuíram significativamente para o impacto positivo das operações de embarque, registando subidas de 261,3 mil toneladas, 73,3 mil toneladas e 67,8 mil toneladas, respetivamente. Com impacto negativo nos embarque, destacaram-se os produtos petrolíferos e a carga contentorizada em Sines (-570,7 mil toneladas e -497,7 mil toneladas), os outros granéis sólidos em Lisboa (-142,7 mil toneladas) e os produtos petrolíferos em Leixões (-97,4 mil toneladas).

Ao nível das operações de desembarque, destacaram-se as variações positivas dos produtos petrolíferos e dos outros granéis líquidos em Sines, com acréscimos de 1,3 milhões de toneladas e 189,2 mil toneladas, e dos produtos petrolíferos e da carga ro-ro em Leixões, com mais 76,6 mil toneladas e 69,5 mil toneladas, respetivamente.

Viana do Castelo, Figueira da Foz, Setúbal e Faro são os portos que apresentam um perfil de porto “exportador”, registando um volume de carga embarcada superior ao da carga desembarcada, com um quociente entre carga embarcada e o total movimentado, no período em análise, de 60,9%, 70,8%, 53,6% e 100%, respetivamente. No seu conjunto, estes quatro portos representam uma quota de carga embarcada de 15,1% (10,5% destes respeitam a Setúbal).
por: Pedro Venâncio
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