terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019

 
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Passageiros & Mobilidade
08-02-2019
Autocarro a gás natural liquefeito
Scania revela primeiro Interlink MD 4x2 GNL
A Scania revelou o primeiro Interlink MD 4x2 GNL – o primeiro autocarro de média/longa distância da marca sueca movido a gás natural liquefeito. O novo Interlink, construído integralmente pela Scania, está homologado como veículo de classe III e disponível em versões de dois eixos – 11 e 13,2 metros – e três eixos – 12,6 e 14,9 metros.

O Interlink GNL está equipado com um motor Scania OC9 106 (Euro 6) de 9.290 cc, 320 cv, 1.500 Nm e tecnologia EGR; e uma caixa de 12 velocidades (e duas marcha-atrás) GRS895R manual automatizada Opticruise, com três modos de condução – Economy, Standard e Power – e função Kick Down e Hill Hold.

A principal novidade da nova versão GNL do modelo Interlink são os depósitos de gás natural liquefeito, com diferentes capacidades e configurações, instalados no compartimento de bagagem. Criogenizados e construídos em aço inoxidável com câmara de vazio, estes depósitos apresentam maior isolamento térmico, suportando temperaturas inferiores a -162º. Na versão de duplo depósito, a combinação de equipamentos ronda os 809 litros de capacidade (o equivalente a 298 quilograma). Em comparação com veículos equivalentes a GNC, o GNL apresenta autonomias superiores até 1.300 quilómetros.



A nova versão GNL tem capacidade para até 53 passageiros, incluindo pessoas com mobilidade reduzida e preparação para transporte escolar, cintos de segurança de três pontos, ligação individual USB e casa de banho. Além disso, apresenta uma bagageira de 4,5 m3 e elevador elétrico de cadeira de rodas colocado atrás do eixo traseiro. A área do motorista está configurada com um painel de instrumentos fixo com volante ajustável, display COLOUR PLUS com ecrã de 6,5’’, computador de bordo, para-sol dianteiro elétrico e assento aquecido. De série, o Interlink GNL oferece ainda câmara de visão traseira e câmara de vigilância na porta central.

Ao nível da segurança, o modelo dispõe de sistema de aviso de abandono de faixa de rodagem (LDW); sistema de travagem de emergência (AEB); controlo de cruzeiro adaptativo (ACC); EBS, ABS e controlo de tração (TC); e sistema eletrónico de controlo de estabilidade (ESP). A velocidade máxima limitada é de 100 km/h, segundo as normas europeias.

As vantagens do GNL
Na apresentação do Interlink MD GNL, em Madrid, a Scania detalhou simultaneamente as vantagens do GNL face ao diesel: maior rentabilidade, menor consumo, preço de abastecimento inferior, redução de emissões CO2 e ruído, reduzida pegada de carbono, acesso a planos de ajuda na aquisição de veículos com estas motorizações, entre outras.



A utilização de veículos a GNL é, segundo a Scania, sinónimo de poupança a longo prazo. Num período de dez anos, e percorrendo 100 mil quilómetros anualmente, o ganho na aposta num autocarro a gás natural liquefeito é de cerca de 19%. Apesar da aquisição de um veículo a GNL ser, em média, 20% superior, e os custos de manutenção serem 7% superiores, o custo com o consumo é 40% inferior ao de um autocarro a diesel.

Previsão de mercado
A Scania tem planeado o fabrico de dez unidades da nova versão do Interlink MD GNL em 2019. Neste que será o primeiro ano de produção, a construtora sueca vai apostar no fabrico limitado desta versão, face às alterações necessárias na linha de montagem, bem como à necessidade de especulação do mercado para a aquisição do modelo a GNL. Daniel Gonzalez, diretor de Marketing e Comunicação da Scania Ibérica, esclareceu à Transportes em Revista que «todas as unidades que serão produzidas em 2019 já estão vendidas».



GNL: ecológico e rentável
A GASNAM, associação ibérica que fomenta o uso do gás natural e renovável na mobilidade terrestre e marítima a nível ibérico, esteve presente na conferência de imprensa do Scania Interlink MD 4x2 GNL. Eugenia Sillero, secretária-geral da GASNAM, deu a conhecer a área de atuação da empresa, priorizando que “o gás natural é um combustível ecológico, económico e tecnologicamente avançado para qualquer tipo de transporte, sem perdas de competitividade”. Segundo a responsável, a GASNAM tem como principais objetivos a melhoria da qualidade do ar e a economia circular, através da descarbonização e do gás renovável.

O número de veículos a gás natural matriculados regista um aumento sem paralelo desde 2012, com destaque para os camiões e autocarros. Ao nível da infraestrutura, também os postos de abastecimento de GNC e GNL têm aumentado em toda a Europa, face à Diretiva 2014/94/UE para os combustíveis alternativos, cabendo aos Estados-membros garantir, em 2020, estações GNC em núcleos urbanos, a cada 150 quilómetros, e de GNL a cada 400 quilómetros.



Atualmente, a nível europeu, já existe uma rede consolidada de postos de abastecimento de GNL permitindo a veículos como o Interlink MD GNL percorrer até mil quilómetros sem necessidade de reabastecimento.

Entre as conclusões e recomendações, a GASNAM refere que o gás natural, “é a única alternativa real e competitiva para o transporte pesado, quer terrestre, quer marítimo”.
por: Pedro Venâncio
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