sexta-feira, 18 de Janeiro de 2019

 
caetano 468x60
Passageiros & Mobilidade
14-12-2018
Diz Fernando Medina
«Início de um novo ciclo na vida da Carris»
Entram hoje em circulação os primeiros 15 autocarros da nova frota da Carris composta por 250 autocarros que reforçarão o serviço da empresa municipal. Os novos veículos serão “confortáveis, mais ecológicos, terão wi-fi gratuito, e vão permitir melhorar significativamente o serviço público de transporte e a qualidade do ar na cidade de Lisboa”, esclarece a empresa.

Tiago Farias, presidente do conselho de administração da Carris, começou por referir que «a Carris não esteve parada nos últimos tempos». Segundo o responsável, a empresa registou um «aumento de cerca de 5% no número de quilómetros percorridos, aumentando, consequentemente, a oferta que fazemos à cidade de Lisboa». Além disso, disse, «a Carris passou de 90% para 97% de taxa de cumprimento, alcançando números de referência internacionais».



«O que nos traz hoje aqui é histórico. Foi quase uma década sem adquirir novos veículos», realçou o presidente da Carris. O mesmo aproveitou ainda a ocasião para agradecer, de forma «muito especial ao POSEUR, sem o qual isto não seria possível». Tiago Farias esclareceu que dos 60 milhões de euros de investimento, 18 milhões vieram do referido programa.

«Estamos a dar um passo fundamental para a descarbonização do setor», sublinhou. No seu discurso, Tiago Farias afiançou ainda que a Carris vai «receber, no primeiro trimestre de 2019, as primeiras viaturas 100% elétricas, num caminho para a descarbonização total da sua frota», assim como «pequenos lotes de viaturas de menores dimensões, fundamentais para algumas áreas com declive da cidade de Lisboa».

Por fim, o responsável pela operadora municipal reforçou que «mais do que uma renovação, esta é uma ampliação da nossa frota para que possamos lançar mais linhas e reforçar aquelas que merecem, fruto do aumento do número de passageiros que temos vindo a verificar ao longo dos últimos tempos».



Na cerimónia de apresentação e entrega das chaves dos novos autocarros, na estação de Miraflores, Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, fez questão de sublinhar que «queremos ficar com 100% do capital da Carris. Faz sentido sermos nós [CML] a financiar a empresa». O autarca aproveitou ainda para dirigir uma «palavra de apreço aos colaboradores da Carris», pois só com eles é possível continuar a dignificar o serviço público de transportes da capital.

Fernando Medina esclareceu que os «indicadores mostram que estamos no bom caminho: temos mais corredores bus, mais motoristas e agora mais autocarros». Além disso, adiantou, «com esta renovação de frota, significa que começa aqui o futuro da Carris».



O também presidente do Conselho Metropolitano de Lisboa aproveitou ainda a oportunidade de agradecer publicamente ao Governo «pela confiança na cidade de Lisboa e na municipalização da Carris», e à administração da Carris «pelo trabalho notável que tem desenvolvido». Por fim, reiterou: «a Carris está na trajetória certa e a servir cada vez melhor a cidade de Lisboa».

Tal como a Transportes em Revista já tinha anunciado, a renovação da frota será feita de forma gradual, pelo que “vão chegar em média quatro novos por semana a partir de janeiro”. A chegada dos novos autocarros vai ainda permitir reforçar o número de carreiras já existentes, nomeadamente as chamadas Carreiras de Bairro.



Elétricos ou a gás natural, os novos 250 autocarros, vão permitir à Carris “emitir menos 40% de partículas poluentes, indo assim ao encontro do compromisso assumido por uma cidade cada vez mais amiga do ambiente e pela saúde dos seus habitantes”.

Presente na cerimónia esteve também João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Transição Energética. No seu discurso, o governante realçou para o facto de «uma empresa como a Carris ter de ser gerida pela Câmara Municipal de Lisboa». Matos Fernandes relembrou que «estes 15 autocarros pertencem a um conjunto e 715 aquisições feitas para todo o país, num investimento total de 220 milhões de euros», um dos maiores investimentos do género na União Europeia.

O ministro do Ambiente fez ainda questão de sublinhar a «asneira monumental do anterior Governo em querer investir em autocarros a diesel». Segundo Matos Fernandes, «em 2050, queremos um país neutro em carbono». Para isso, explica, é preciso «reduzir de 6% para 1% as emissões carbónicas do país, ou seja, toda a mobilidade terrestre deve ser elétrica».



Além da renovação da frota da Carris, o governante sublinhou o investimento do Governo no sentido de continuar a «disrupção na mobilidade». No leque de investimentos, destaque para os 137 milhões de euros para a aquisição de novas composições do Metropolitano de Lisboa e para o novo sistema de sinalização. «Atualmente existem quatro candidaturas para o projeto», adiantou Matos Fernandes.

No final do seu discurso, Matos Fernandes deixou claro que o «país quer descarbonizar-se», e como tal, «estamos todos de parabéns. Fizemos o que era a nossa obrigação. A mobilidade começa a dar o salto», reiterou.
por: Pedro Venâncio
1043 pessoas leram este artigo
80 pessoas imprimiram este artigo
0 pessoas enviaram este artigo a um amigo
2 pessoas comentaram este artigo
Comentários
26-12-2018 18:26:44 por Carlos Gaivoto
O sector do transporte público urbano exige, cada vez mais, um Transit Act e a introdução de metodologia de planeamento estratégico. Mais do que aquisição de frotas, o importante é saber responder como alternativa à dependência do automóvel. Essa e a questão de se resolver a acessibilidade com políticas de território urbano, exige o reforço do TCSP e também uma profunda reforma que saiba respeitar critérios, princípios e objectivos de sustentabilidade. Ora, as boas práticas existem e devem ser divulgadas, como são as políticas de uso do solo que já praticam a transição ecológica e fazem alternativa à dependência do automóvel, como no caso de Vauban em Friburgo ou a do sistema de capacidade intermédia em Karlsruhe. O conhecimento técnico e científico é respeitado pelo decisor em que este aguarda que lhe sejam remetidos os estudos e projectos feitos pelas entidades competentes e curiosamente, nestes países e cidades, a prática de planeamento não é feira de acordo com interesses decididos de cima para baixo business as usual mas, antes, de baixo oara cima, com as equipas técnicas, por exemplo, das agências de urbanismo a saber integrar um urbanismo ecológico com um transporte sustentável. As inaugurações ficam a juzante.No caso português há lacunas e elas não se resolvem no voluntarismo tão ao gosto dos decisores políticos, muitas vezes a substituir o quadro técnico quando não, a comprar serviços de terceiros, sem produzir uma reforma no pensamento e no agir, sabendo ver o que aquelas boas práticas têm a ensinarnos. O caso Carris merece por isso uma atenção especial, tanto mais que deveria ser constituído um Operador Interno Integrado como uma RATP oy uma STIB mas, nem presidente de câmara nem ministro falam disso. O que eles falam é só no que a agenda neoliberal lhes permite ir dizendo, ou seja, nós estamos a iniciar um novo ciclo. Será assimOs ciclos podem e devem ser interpretados, em particular, quando integrados em ondas longas, como é o caso português, ao incluíremse as políticas públicas rodoviárias com as práticas municipais de esquemas de circulação e estacionamento rodoviária em detrimento do TC. Esta onda longa vem desde a década de 60 mas, foi sobretudo na década de 90 que a rodovia foi significativamente incrementada, enquanto a ferrovia era preterida a CML era um actor muito activo nessa política. Hoje, a herança é pesada com o aumento dos custos escondidos e não é resolvida por se comprar autocarro eléctrico mas, saber planear rede e serviços, o que seria melhor resolvido com o knowhow dum Operador Interno Integrado. Nos Estado com maior regulação esse trabalho resulta da conjugação de esforços de várias entidades, a começar por aquelas que elaboram os PDU Planos Deslocação Urbana e os ECOT Esquema de Coerência Territorial e os que gerem as redes e serviços. Em Portugal essa regulação fica aquém do necessário, como se verifica com as leis 31/2014 e 52/2015. Convivese com a agenda neoliberal e não se contraria esta onda longa, continuando o mesmo protagonismo das autocracias a impôrse à democracia.Portanto, ao contrário dos foguetes atirados para o ar, é preciso elaborar o contraciclo. E isso não está feito, não dizem como e porquê continua a rodovia a sobrepôrse à ferrovia e pior que isto, não se quer entrar no contraciclo de resposta à agenda neoliberal. Com certeza que não são nem as carreiras de bairro, nem os autocarros eléctricos que iniciam esse contraciclo, pelo contrário, reforçamno pois, aquele lema antigo muito ao agrado destes senhores dividir para reinar continua a subsistir e estes CAs nomeados, não fazem mais do que cumprir ordens. Por tudo isto, o ano de 2019 é de mudança de paradigma, construir a sustentabilidade. Mas, para isso é preciso mesmo o Transit Act, o Planeamento Estratégico e o Operador Interno Integrado. Será que é essa a reforma que se pode iniciar em 2019 Espero que sim pois, a Democracia e a República agradecem o que exige uma mudança de paradigma baseada na sustentabilidade e menor depenência do automóvel. É nisso quea Carris, Metro, TT e CPSuburbanos têm de empreender. Vale
15-12-2018 11:57:41 por José Manuel Godinho
Esperemos que a série 4201 MercedesBenz / Atomic Urbisseja a primeira a ser substituída. Não deixará saudades pela sua lentidão, ausência de conforto e má gestão do espaço interior.
  
Deixe o seu comentário!

 


 

  

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 





Chronopost







RSS TR Twitter Facebook TR Transportes em revista

Dicas & Pistas © 2009, Todos os Direitos Reservados

Condições de Utilização | Declaração de Privacidade
desenvolvido por GISMÉDIA