sábado, 15 de Dezembro de 2018

 
Carga & Mercadorias
30-11-2018
Carlos Vasconcelos
Medway prepara investimento em novas locomotivas e vagões
A última sessão do Ciclo de Palestras SRS Advogados/Transportes em Revista decorreu dia 29 de novembro e teve como orador Carlos Vasconcelos, presidente da Medway. Na sua intervenção sobre “A realidade do transporte ferroviário de mercadorias”, Carlos Vasconcelos referiu que o transporte ferroviário de mercadorias «tem potencial de crescimento», nomeadamente nos contentores, e que nos últimos dois anos a Medway registou um «crescimento de 18%»

O responsável anunciou que a empresa está a concluir um plano de investimentos para expandir a sua atividade «quer em Portugal, quer fora de Portugal e para isso precisamos de mais equipamentos». Segundo Carlos Vasconcelos «estamos a concluir um plano de investimentos porque precisamos de mais meios, locomotivas e vagões» avançando que «temos um posicionamento de operador logístico, que passa por fornecer soluções logísticas integradas aos clientes e daí estarmos a adquirir equipamento e a estabelecer uma rede de fornecedores para oferecer uma rede de serviços integrados e completos».



No entanto, Carlos Vasconcelos adiantou que não conseguem crescer mais porque existe um conjunto de constrangimentos no setor ferroviário nacional.
O primeiro constrangimento, afiançou o presidente da Medway, é «a infraestrutura que está desajustada e cuja manutenção é desadequada». Carlos Vasconcelos esclareceu que «nos últimos 50 anos, no país, não se fez investimento na via férrea. Se houve uma estratégia nacional, esta foi no investimento rodoviário». Como consequência, adiantou, «hoje temos uma via férrea desajustada».

O responsável relembra que «há muitos troços em muito mau estado, as ligações internacionais são poucas e más e os terminais onde se fazem as cargas e descargas estão desadequados», defendendo que deveriam existir mais ramais e linhas com capacidade para receber comboios com 750 metros, assim como a eliminação de pendentes, que acabam por reduzir a capacidade de tração. Contudo, Carlos Vasconcelos relembra que «estes fatores representam investimento de milhares de euros e o país não tem dinheiro».

Uma das soluções passa, segundo o presidente da Medway, pela utilização de «dupla tração» em percursos onde as pendentes são maiores.

Em relação ao Plano Ferrovia 2020, o responsável realça que este projeto «dá resposta a alguns dos constrangimentos que atualmente existem», na rede ferroviária, principalmente na Linha do Leste, até Badajoz, e no troço entre Esmoriz e o Porto.

O tarifário aplicado pela IP ao setor, a chamada “taxa de uso” também mereceu alguns reparos por parte de Carlos Vasconcelos. Para o presidente da Medway, o caminho deveria passar por «eliminar a taxa de supressão. O tarifário deveria fazer uma diferenciação maior entre o diesel e o elétrico e deveria também incentivar-nos a investir nos meios e nos serviços. Hoje, o tarifário é igual para todos. Acho que deveria existir uma diferenciação positiva no sentido de incrementar mais volume, porque o que interessa para quem cobra uma taxa de utilização, é aumentar o volume dessa taxa». Apesar de a IP já ter anunciado que está a trabalhar nesta questão, Carlos Vasconcelos mostrou-se «preocupado» com a solução que daí irá advir, «não tanto pela IP, mas pelas pressões externas. A IP percebe o problema e é sensível, mas existem pressões ao mais alto nível europeu que podem levar a IP a tomar medidas com as quais não concorda de todo».



Quanto a novos terminais, a Medway já está a investir 25 milhões num novo terminal em Famalicão e Carlos Vasconcelos confessou ter também interesse não só em Portugal como também em Espanha. «Nós posicionamo-nos como interessados nos terminais da Bobadela, caso a IP avance como tem afirmado para a concessão desses espaços. Estamos interessados», adiantou, revelando também a empresa está interessada «em todos os espaços que sejam concessionados. A Bobadela, inevitavelmente, é um deles e estudamos outros cenários onde haja mercado. Neste momento, não temos nada em concreto. Já estamos a trabalhar um bocadinho, como se sabe, em Alfarelos, mas esse terminal não é nosso. Já estudámos a Guarda, mas não era viável, não tem capacidade. E estamos atentos a terminais quer cá, quer em Espanha».

Carlos Vasconcelos disse ainda que os constrangimentos existentes na rede ferroviária nacional conduzem a uma descredibilização da ferrovia e que afeta fortemente a atividade dos operadores. Carlos Vasconcelos julga que os clientes «não têm conhecimento destes problemas que temos e nós não conseguimos passar essa mensagem. Tentamos explicar as dificuldades que existem, mas quando um cliente tem uma necessidade, as desculpas não lhe servem de nada, quer é uma solução».
por: Pedro Costa Pereira
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