segunda-feira, 15 de Outubro de 2018

 
caetano 468x60
Carga & Mercadorias
18-09-2018

Os políticos devem estar loucos
Há já largos anos que nos habituámos a que neste período, que agora atravessamos e que intermedeia o princípio com o fim do verão, por falta de outras notícias, se acentuem aquelas baseadas em situações e casos que, de tão insólitos, ganham foros de primeiras páginas dos jornais ou até aberturas nos noticiários televisivos.

Esta época, e este fenómeno tão frequente ganhou até um nome que, passe o estrangeirismo, todos ficámos a conhecer como a silly season. Neste período, qual Carnaval, pode praticamente dizer-se e fazer-se tudo que afinal ninguém leva a mal. Todos se limitam a, num encolher de ombros, dizer que estamos na silly season, não relevando a importância que à primeira vista os assuntos podem merecer.

Tudo estaria muito bem se não se viesse a constatar que, atualmente, a silly season, provavelmente farta do pouco palco que a sazonalidade lhe reservou, se estendeu e, pelo menos no calendário dos políticos, passou a ocupar praticamente o ano inteiro. Aliás, no contexto atual, quase que se poderia estabelecer uma regra: quanto mais importante e poderoso o político, maior a extensão da sua silly season.

Assim, e começando pela “mãe” de todos os políticos não posso deixar de referenciar a liderança destacada de Donald Trump que no ar, no mar, na terra e no Twitter com uma resiliência desconcertante se impõe a todos os outros. Mas não se julgue que é o único. Putin, Kim Jong-un, Xi Jinping, Hassan Rohani, Jean-Claude Juncker, Theresa May, Reuven Rivlin, Bashar al-Assad e tantos outros, à vez ou em simultâneo, disputam o lugar a Trump, contribuindo todos sucessivamente para numa escalada, de altos e baixos, sobressaltarem o mundo em que vivemos, quase que diariamente, com as suas picardias e ideias peregrinas, para não dizer algo bem mais forte. Nós, pobres mortais, ora nos sobressaltamos com ameaças de guerra total entre Kim Jong-un e Trump, ora nos tranquilizamos com os seus encontros por esse mundo fora. Ora pensamos por um momento que Trump e Putin se odeiam, como no momento seguinte percebemos que afinal são a mesma pessoa. Se ontem embargávamos o Irão, hoje fingimos que nada se passou, e amanhã talvez o voltemos a embargar. Quanto à Rússia nem falar, a não ser da excelência do Mundial de futebol, ou afinal por termos descoberto que a Alemanha em pleno embargo lhe compra o gás que consome. E que dizer do Brexit? Eu diria tem dias... uns mais hard e outros mais light. Enfim, se a geopolítica já nos parece complicada, que dizer da política de comércio livre numa época em que se esgrimem barreiras protecionistas nos quatro cantos do mundo. Se por um lado ainda não sabemos como iremos fazer comércio com os nossos ex-Brexit parceiros, por outro tanto estamos na mó de baixo como na de cima. Que dizer da negociação surpreendente do beijoqueiro Juncker com o castigador americano? Num momento íamos pagar mais pelas Harleys, pelas Levi´s e por um copo de Jack Daniel’s, e de repente, do nada, já discutimos com a América uma liberalização de tarifas sem precedentes. Seguramente que o êxito desta reunião foi selado com uma ciática das antigas. Só pode!

Os políticos estão efetivamente loucos, diria mesmo bipolares. É bom que nos demos conta que, enquanto lhes dermos votos, ainda que pela abstenção, são eles afinal que estão ao volante. Prever os números vencedores do euromilhões é hoje quase mais fácil que saber de antemão para onde é que esses loucos nos levarão.

Acabo com uma simples perguntas que tentarei responder, ainda que em inglês, de forma teleguiada:
– Os políticos estão loucos? For sure!

por António Belmar da Costa
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