domingo, 18 de Novembro de 2018

 
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21-08-2018
Investimento
Requalificação do porto de Setúbal: o fator económico tem mais peso que o ambiental
O porto de Setúbal vai ser requalificado de forma a integrar as principais rotas logísticas europeias. A obra está orçamentada em 15 milhões de euros e levanta algumas dúvidas para associações ambientalistas como o Clube da Arrábida e a Quercus. Em causa está a dragagem de areias no estuário do Sado. Estima-se que seja necessário retirar mais de seis milhões de metros cúbicos de areia, uma tarefa cujo impacto nas praias da Arrábida se desconhece.

A Associação Portuguesa do Ambiente (APA) deu parecer positivo à obra. Uma decisão determinada pela ponderação dos ganhos económicos para Setúbal. A declaração de avaliação de impacto ambiental da APA clarifica que se “considerou que o fator determinante nesta avaliação é a socioeconomia, e que a geologia e geomorfologia e a hidrodinâmica, a ecologia, os recursos marinhos, o património e a paisagem são fatores relevantes”. Contudo, o Clube da Arrábida e a Quercus olham mais para o aspeto ambiental e defendem que esta obra pode ter consequências “irreversíveis” no estuário. A APA admite, mas o estudo desses impactos não está incluído à partida na avaliação. A APA esclarece que “mexer no canal irá criar desequilíbrios na dinâmica natural do delta do estuário do Sado”.

O Clube da Arrábida está disposto a avançar para a justiça para travar a obra. “Não entendemos que uma obra desta magnitude, que vai ser a maior obra de dragagens da Europa, envolve 15 milhões de euros públicos e que pode ter um impacto desastroso sobre a costa da Arrábida, avance com base num estudo de impacto ambiental que teve uma consulta pública quase estratégica e que, resumindo, não é um estudo de impacto ambiental. É um estudo de benefícios económicos para o porto de Setúbal”, diz, ao Dinheiro Vivo, o presidente do Clube da Arrábida, Pedro Vieira. Também Paulo Carmo, do núcleo da Quercus em Setúbal, afirma que “há uma total falta de medidas relativas ao pós-obra”. A Quercus admite a importância da obra, mas relembra que é preciso “salvaguardar as questões ambientais”, estando em causa o futuro das praias da costa.

A APA, afirma ainda ao mesmo jornal, que “ao projeto está inerente uma forte melhoria da competitividade e desempenho estratégico do porto de Setúbal, suportando fatores de sustentabilidade das atividades desenvolvidas cuja área de influência atinge um nível supra regional”.

O Turismo de Portugal também teve uma palavra a dizer neste processo e defende que as mais-valias do novo porto são superiores às consequências negativas que possam surgir. O mesmo organismo sustenta que “grande parte da procura por alojamento em estabelecimentos hoteleiros em Setúbal advém do turismo de negócio associado à atividade industrial do concelho”.

A Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) assegura que terá um programa de monitorização implementado antes, durante e após as dragagens, para avaliar o aparecimento de impactos ambientais em tempo real e, assim, implementar medidas corretivas. A APSS prevê ainda fazer um estudo de hidrodinâmica e ter outras medidas compensatórias.
por: Sara Pelicano
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