quarta-feira, 21 de Novembro de 2018

 
STCP
Passageiros & Mobilidade
03-07-2018
Inquérito à mobilidade
Automóvel é "rei e senhor" nas deslocações em Lisboa e Porto
O INE- Instituto Nacional de Estatística já deu a conhecer os resultados provisórios do inquérito à mobilidade, promovido e financiado pelas Áreas Metropolitanas de Lisboa (AML) e do Porto (AMP). De salientar que o automóvel continua a ser o principal meio de transporte nas duas áreas metropolitanas, com maior incidência na AMP, com as deslocações a representarem um total de 69%. Em Lisboa, regista-se uma menor dependência do automóvel (59,8%). Nos dias úteis, a representatividade do transporte individual motorizado era 66,5% na AMP e 57,3% na AML. "Nesta rubrica, considerando a globalidade dos dias da semana, destacou-se o automóvel (ligeiro de passageiros) como principal meio de transporte nas deslocações, que foi a opção em 67,6% dos casos na AMP e 58,9% na AML. Nas deslocações nos dias úteis, o automóvel pesou 65,2% na AMP e 56,3% na AML", revela o inquérito.
Por outro lado, regista-se que as deslocações principalmente por modos suaves (pedonal ou bicicleta) já são bastante significativas, tendo atingido 18,9% na AMP e 23,5% na AML.

Lisboetas utilizam mais os transportes públicos que os portuenses


Já os transportes públicos e/ou coletivos, como principal meio de transporte, representaram 11,1% na AMP e 15,8% na AML. "Estes resultados estão, contudo, condicionados pelo elevado número de deslocações a pé, bem como pelo recurso a meios distintos", revela o INE. Considerando apenas o subconjunto de deslocações por transporte individual motorizado (ligeiros de passageiros e motociclos) e por transporte público/coletivo, verificou-se que o transporte público/coletivo foi o principal meio utilizado em 13,9% das deslocações dos residentes na AMP e 20,9% na AML.
Nos dias úteis, estas percentagens sobem para 16,7% na AMP e 24,3% na AML. O autocarro foi o modo preferencial dos residentes da AMP, ao corresponder a 61,% das deslocações, "enquanto para os residentes na AML a sua expressão entre a totalidade de transporte público/coletivo se situou em 49,6%, refletindo a oferta mais diversificada de transporte ferroviário (ligeiro e pesado) e fluvial (rios Tejo e Sado), em função da diferença de geografia", salienta o inquérito. Nas duas áreas metropolitanas, o transporte individual (motorizado) só não foi maioritário nas deslocações para estabelecimento de ensino. Nas deslocações por este motivo, o transporte público/coletivo foi mais relevante, representando 31,7% na AMP e 28,1% na AML (considerando a globalidade dos dias e dos meios de transporte). Os modos suaves (pedonal ou bicicleta) foram particularmente expressivos entre as deslocações para compras (29,6% na AMP e 38,9% na AML).
Os principais motivos que levaram os residentes das duas áreas metropolitanas a optar pelo transporte individual foram a "rapidez" (assinalado por 58,4% e 62,5% dos respondentes, respetivamente) e o "conforto" (49,8% e 50,4%, pela mesma ordem). Seguidamente, foram apontados os motivos de "rede de transportes públicos sem ligação direta ao destino", "ausência de alternativa" e "serviços de transporte público sem a frequência ou fiabilidade necessárias". No que concerne aos principais motivos para a utilização dos transportes públicos, o facto de "não conduzir/não ter transporte individual" foi identificado por 52,5% dos residentes na AMP e por 45,3% dos residentes na AML. A "ausência de alternativa" e o "preço/custo do transporte público" surgem imediatamente a seguir (49,5% e 37,9% na AMP e 43,1% e 35,7% na AML). Na avaliação dos transportes públicos, os residentes nas Áreas Metropolitanas do Porto e de Lisboa destacaram especialmente a "proximidade à rede/paragens" (73% e 72%, respetivamente, de pontuações 4 ou superior, numa escala até 6). A "segurança" e a "facilidade de transbordo" foram realçadas positivamente na AMP, enquanto na AML se destacou também a "facilidade de transbordo" e ainda a "rapidez".
Do lado negativo, os residentes da AMP salientaram o "preço/custo do transporte público" e o "acesso por pessoas portadoras de deficiência", tendo esta última rubrica sido também referido na AML conjuntamente com a "lotação" nos serviços de transporte.

Tempos e distâncias

As deslocações efetuadas pelos residentes na AMP tiveram em média uma duração de 21,8 minutos e uma distância de 10,1 km. Na AMP, os residentes de Arouca (27,3 minutos e 12,0 km) e Gondomar (25,3 minutos e 12,0 km) evidenciaram as deslocações com as maiores durações e distâncias médias.
Na AML, as deslocações dos residentes duraram em média 24,3 minutos para uma distância média de 10,3 km. Os residentes nos municípios do Seixal e Oeiras fizeram as deslocações com maior duração (em média 27,2 e 25,8 minutos, respetivamente). Os residentes em Alcochete e Mafra foram os que, em média, efetuaram as deslocações mais longas (13,4 km e 13,1 km, respetivamente, com durações de 23,1 e 20,6 minutos, pela mesma ordem).
As deslocações por motivo de trabalho tiveram em média, para os residentes na AMP, uma duração de 23,6 minutos e 12,6 km de distância, enquanto na AML se situaram em 28,9 minutos e 13,1 km.

Número de deslocações para o trabalho superior a 30% do total

O motivo trabalho correspondeu a 30,3% e 30,8% das deslocações dos residentes na AMP e AML. As deslocações motivadas por compras e assuntos particulares, em conjunto, representaram 33,2% e 31,7% das deslocações na AMP e na AML, respetivamente. Destaca-se ainda a importância do acompanhamento de familiares (incluindo de crianças de/para a escola), que esteve na origem de 15,7% das deslocações na AMP e de 15,2% na AML.
Por outro aldo, regista-se que as deslocações intramunicipais representaram 71% na AMP e 65% na AML no total de deslocações com origem e destino na respetiva área metropolitana. Mais de 90% das deslocações na Área Metropolitana do Porto (94%) e na Área Metropolitana de Lisboa (97%) foram realizadas em municípios da respetiva área metropolitana, correspondendo, deste modo, a deslocações intrametropolitanas.
Este inquérito abrangeu perto de 100 mil residentes nas duas áreas e foi efetuado no quarto trimestre de 2017. De acordo com as estimativas mais recentes da população residente, na Área Metropolitana do Porto (AMP) residem 1,60 milhões de pessoas e na Área Metropolitana de Lisboa (AML) residem 2,57 milhões de pessoas. No conjunto as duas áreas concentram cerca de 43,9% da população residente em Portugal.

Para aceder ao inquérito, clique AQUI



 
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Comentários
09-07-2018 16:26:37 por Fernando Santos e Silva
Não terei interpretado bem, mas sendo os passageiros transportados pelo metropolitano de Lisboa da ordem de 450.000 passageiros por dia 150 milhões/ano, como compatibilizar com a informaçãodo quadro da figura 19 de serem 164.500 Se é por corresponderem ao meio principal de transporte deduzse que cerca de 285.000 deslocaçóes de metro foram complementares de outras. Só que assim não ficamos com uma ideia correta da distribuição pelos modos de transporte, salvo melhor opinião.
09-07-2018 15:09:55 por Paulo A.G. Berardo de Andrade
Resposta que o INE me deu: «Registamos o contacto com o Instituto Nacional de Estatística, IP. Entendemos todas as sugestões e reclamações como oportunidades de melhoria dos nossos produtos e do serviço que prestamos.Agradecemos o interesse demonstrado pelos resultados do Inquérito à Mobilidade nas Áreas Metropolitanas do Porto e de Lisboa, bem como os comentários efetuados.Relativamente à distinção entre deslocação a pé e de bicicleta, a mesma existe e está patente nos quadros de acompanhamento do Destaque quadros P9 e L9, relativos a distâncias e tempos. Relembramos que os resultados por ora divulgados têm natureza provisória, prevendose resultados e desagregações adicionais por ocasião da produção de resultados definitivos. Quanto ao transporte individual, o mesmo incluiu motociclos e ciclomotores. Chamamos a atenção para a expressão dos quais, no quadro 19. A expressão transporte individual foi utilizada num quadro que apresenta explicitamente a bicicleta noutra rubrica. O enquadramento dos vários meios de transporte encontrase descrito nas definições patentes na nota metodológica, no final do Destaque.»
07-07-2018 9:24:39 por Paulo A.G. Berardo de Andrade
Felizmente as deslocações a pé e em bicicleta estão a aumentar, ao que parece. Mas no Inquérito há uma incorreção pois, metodologicamente, o Inquérito devia ter distinguido deslocação a pé da deslocação em bicicleta. Por outro lado a designação «transporte individual» também é errónea pois deveria ser «automóvel ligeiro privado» já que este é um transporte individual mas também o são transporte individual a deslocação em motociclo e a deslocação em bicicleta
  
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