segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

 
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Carga & Mercadorias
04-06-2018

Bruxelas alerta que atrasos podem ser irrecuperáveis
Violeta Bulc acredita que Portugal cumprirá as metas do Ferrovia 2020
A comissária europeia dos Transportes foi a “madrinha” do lançamento das duas maiores empreitadas no setor ferroviário dos últimos 100 anos em Portugal. Violeta Bulc acredita que o investimento trará benefícios económicos para o nosso país. Ainda assim, a Comissão Europeia alerta o Executivo português que os atrasos nos investimentos podem não ser recuperáveis, pelo que o trabalho conjunto com Espanha é fundamental.



A presença da comissária europeia da Mobilidade e dos Transportes, Violeta Bulc, no arranque das empreitadas nos troços Évora-Elvas e Covilhã-Guarda reforçou a aposta do Governo na ferrovia nacional. No passado dia 5 de março, Violeta Bulc esteve presente em Elvas, juntamente com António Costa e Mariano Rajoy, primeiro-ministro espanhol, para dar início às obras do troço que fará a ligação entre Évora e Elvas e posteriormente ao hinterland da região da Extremadura espanhola, entre Elvas e Caia (troço de 11 quilómetros).

A construção da nova linha deverá iniciar-se até março do próximo ano, com conclusão prevista para o primeiro trimestre de 2022. Orçamentada em 509 milhões de euros, será comparticipada em cerca de metade por fundos europeus. Ainda de acordo com os dados do executivo comunitário, a modernização do troço Évora-Caia custará aos cofres do Estado 388 milhões de euros, amortizado em 56% pela União Europeia (184 milhões de euros).

A linha entre Évora e Elvas será construída de forma faseada. Para já, são apenas 20 quilómetros, mas se pensarmos que esta é a maior construção no setor ferroviário do último século, é um marco notável. Mais ainda quando olhamos para as vantagens desta ligação: os 80 quilómetros entre Évora e Elvas vão permitir a ligação dos portos de Sines, Setúbal e Lisboa à Península Ibérica e à Europa, reduzindo os tempos de trânsito de oito horas para quatro horas e meia (e o custo de transporte em cerca de 30%). Segundo a Infraestruturas de Portugal, a construção deste troço vai ainda permitir a “circulação de comboios de 750 metros de comprimento” e aumentar a “capacidade de carga rebocada para 1.400 toneladas com tração elétrica simples”.

Nesse mesmo dia, a comissária europeia esteve igualmente presente no lançamento dos trabalhos de modernização do troço Covilhã-Guarda na linha da Beira Baixa. Juntamente com Pedro Marques, ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Violeta Bulc colocou “mãos-à-obra” para dar início à empreitada. Adjudicado por 52 milhões de euros, o troço tem conclusão prevista para 2019 e, uma vez terminado, permitirá a reabertura à exploração ferroviária da linha com 46 quilómetros que se encontra encerrada à circulação desde 2009. Violeta Bulc deixou uma mensagem muito clara nesta cerimónia: “A Europa veio até junto de vocês. Usem bem a oportunidades que vos abre o maior mercado do mundo: o europeu”.

A visita da comissária europeia vem no seguimento da reunião da Infraestruturas de Portugal com representantes das autarquias de Belmonte, Covilhã e Guarda, com vista à modernização do troço. A obra que integra a concordância entre as Beiras tem entre os objetivos definidos pela IP “a introdução de novos modelos de exploração nos comboios de passageiros”; “criar itinerários alternativos, mais curtos, para o tráfego de mercadorias com destino à fronteira”; “fechar a malha e aumentar a capacidade nas ligações internacionais”; e “viabilizar a circulação de comboios com 650 metros de comprimento”, além de melhorar os níveis de eficiência e segurança daquela linha.



“Sei que Portugal vai cumprir todas estas promessas”
A comissária europeia dos Transportes aguarda “que os benefícios a retirar dos investimentos que estamos a fazer e que serão feitos no futuro, transformem a rede ferroviária na espinha dorsal dos transportes comunitários”, referiu em entrevista ao Jornal Económico.

Com a certeza de que o investimento na ferrovia será “bom para Portugal em termos económicos”, a responsável afiança que “isso vai permitir que outros negócios possam beneficiar da conectividade e do acesso mais fácil ao mercado único”. Para Violeta Bulc, “a conectividade é o primeiro passo” e as regiões do Alto Alentejo e da Beira Interior terão “uma nova oportunidade para se ligar ao mercado único”, ao invés de continuarem a ser regiões “subdesenvolvidas” e fechadas ao desenvolvimento.

A comissária europeia dos Transportes referiu também que a aposta da UE na ferrovia deve-se ao facto deste se tratar do “modo de transporte mais eletrificado, mais limpo”. Bulc explicou àquele jornal que “cerca de 73% dos investimentos previstos pela UE no período entre 2014 e 2020 são para a ferrovia, com destaque para todas as ligações transfronteiriças e para a conclusão dos missing links, como é o caso da ligação entre Évora à fronteira com Espanha”.

A segurança rodoviária é outro ponto referido por Violeta Bulc nesta entrevista. Na sua opinião, “se movermos mais carga para o caminho-de-ferro, quer dizer que tornamos as estradas europeias mais seguras”. Além da segurança, a diminuição do tráfego é outra estimativa para a crescente aposta da UE na ferrovia. ”Prevê-se que as externalidades negativas provocadas por esse congestionamento dos transportes rodoviários no espaço da UE ascendam a cerca de 500 mil milhões de euros, todos os anos”, reiterou a comissária.

Atrasos nos investimentos podem não ser recuperáveis
Apesar do lançamento destas obras significarem um impulso, há muito necessário, na ferrovia nacional, a Comissão Europeia veio alertar para o facto de que os atrasos nos investimentos poderão não ser recuperáveis. A nota veio de Bruxelas, à margem do pacote de inverno do semestre europeu de coordenação de políticas económicas e orçamentais da União Europeia.

Neste documento, pode ler-se que os “atrasos nos investimentos nos caminhos de ferros apresentam um problema dada a baixa densidade ferroviária do país” e que os “principais projetos cofinanciados pelo Connecting Europe Facility estão a enfrentar atrasos, que em alguns casos não podem ser ultrapassáveis”. A União Europeia destaca ainda que os “planos ambiciosos” de Portugal devem ser “realistas” quanto aos projetos e à infraestrutura em construção e modernização. Contudo, para o organismo europeu, parece ainda existir “capacidade insuficiente em termos de pessoal qualificado envolvido no desenvolvimento de projetos cofinanciados pelo CEF”.

Ainda que tenham sido lançadas as obras nos troços Covilhã-Guarda e Évora-Elvas, o relatório de Bruxelas descreve que o setor ferroviário ainda está “amplamente subutilizado na ligação com Espanha”, persistindo a falta de “uma estratégia conjunta detalhada” entre os dois países. Segundo a UE, um “plano abrangente incluiria a identificação de etapas intermédias, terminais, interconexões necessárias para beneficiar da modernização da rede espanhola e do desenvolvimento da bitola internacional”. A concordância de linhas e ligações à escala ibérica iria ainda “impulsionar o desempenho ferroviário internacional, o que é crucial para enfrentar a situação periférica de Portugal e explorar o potencial dos portos portugueses, até ao momento prejudicados por um modelo apenas rodoviário”, pode ler-se no documento. Apesar das potencialidades dos portos nacionais ao nível da movimentação de carga, “a intensidade do tráfego ferroviário de mercadorias continua a situar-se entre as mais baixas da Europa”, pelo que a aposta no setor ferroviário é imprescindível à reversão desta tendência.

por Pedro Venâncio
 
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