segunda-feira, 16 de Julho de 2018

 
caetano 468x60
Carga & Mercadorias
20-04-2018
Antiga CP Carga tem 90% do mercado
ALB diz que Medway está a tentar afastá-la do mercado
A queixa que a ALB - Área Logística da Bobadela apresentou contra a Medway junto da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) e da Autoridade da Concorrência (AdC) acusa a antiga CP Carga de estar a criar "diversos obstáculos aos transportes por via ferroviária". Segundo o jornal "i", que teve acesso ao conteúdo da queixa, "tais constrangimentos estavam já a perturbar a operação da ALB com enormes prejuízos para a sua atividade e para os seus clientes" quando a "Medway assumiu formalmente que não faculta mais nenhum comboio à ALB".
O documento entregue pela ALB revela ainda que "a falta de acesso a comboios" é "uma ameaça real à sua atividade e compromete seriamente a concorrência em Portugal" neste setor de atividade, pelo que a "intervenção das entidades competentes é (...) absolutamente urgente e decisiva".

A ALB acusa ainda a Medway de lhe recusar comboios por alegada indisponibilidade mas, "suspeitando de atitude discriminatória", pediu a alguns clientes que solicitassem o transporte. "Constatou-se então que, diante do pedido do cliente" - o mesmo que fora apresentado pela ALB -, a "Medway afirmou ter disponibilidade de transporte", lê-se na queixa, pelo que é "reiteradamente comprovável que a Medway tem obstaculizado a atividade da ALB", refere o "i". Um dos exemplos dados pela ALB foi "a não realização do transporte de um contentor no eixo do IberianLink de Barcelona para Bobadela em julho de 2016, em que a Medway alegou indisponibilidade de transporte. Quando solicitado diretamente pelo cliente, o transporte foi efetuado sem objeções".
A ALB acusa ainda a Medway de alterar as capacidades de transporte (quando já haviam sido confirmadas pela Medway); alterar condições acordadas sem consentimento da ALB; alterar datas dos comboios sem qualquer aviso prévio e ainda recusar comboios ao operador logístico.

Para a ALB, a Medway "com o seu comportamento, está a alterar a estrutura do mercado, tentando afastar a ALB", e tais "atos são suscetíveis de integrar uma prática de abuso de posição dominante por parte da Medway" que pode ser concebido em duas vertentes.
"Os abusos de exploração são os que se traduzem no aproveitamento do poder de mercado e os abusos de exclusão são os suscetíveis de prejudicar o funcionamento da concorrência no mercado", lê-se na exposição. Uma vez que a Medway tem 90% do mercado, "não restam dúvidas de que detém uma posição dominante", para além de "aplicar condições desiguais em relação a outros parceiros comerciais" e "afetar o funcionamento do mercado e a estrutura da concorrência", refere o documento.

Em 2016, quando se deu o processo de privatização da CP Carga, já se tinham levantado várias vozes contra a decisão do Governo em "entregar" a empresa pública à MSC, que venceu o respetivo concurso público por um valor de 53 milhões. Isto porque o armador suíço era um dos principais clientes da CP Carga e existia o receio de que pudesse "privilegiar" as suas cargas/contentores em detrimento dos outros clientes. No entanto, nenhum dos concorrentes que se apresentou a concurso, nomeadamente a Athena Equity Partners e a Cofihold contestou a decisão. Posteriormente, a Autoridade da Concorrência também não viu indícios sobre essa possível prática e deu "luz verde" para que o negócio avançasse e pudesse ser formalizado.

Medway só responde quando for notificada

Contactada pela Transportes em Revista (TR), a Medway emitiu uma nota onde refere que «relativamente ao tema de uma possível queixa da ALB - Área Logística da Bobadela na Autoridade da Concorrência visando a Medway vimos informar que até à data não fomos notificados sobre o tema em questão pelo que não nos é possível prestar esclarecimentos adicionais». A empresa adianta ainda que «se se vier a confirmar a queixa e respetiva notificação a Medway irá analisar a mesma e oportunamente tomará uma posição».
Na passada quarta-feira, Lourenço Silva, CEO da ALB, já tinha referido à TR que «neste momento não é oportuno falar sobre o tema. É um assunto interno da empresa e não quero fazer nenhum comentário».


Parcerias entre as duas empresas podem cair


Há cerca de um ano, as duas empresas, que agora estão em conflito, tinham formalizado um acordo para a operação de transporte de contentores, cujo prazo tinha a duração de cinco anos. O acordo previa a realização de uma média de 15 comboios por semana, ligando os principais pontos onde a ALB opera, como Lisboa, Leixões, Sines, Badajoz e Setúbal.
Sobre este tema, Lourenço Silva, CEO da ALB, disse à Transportes em Revista que «o contrato encontra-se em vigor e ainda não houve nenhuma rescisão formal. No entanto está suspenso e não tem aplicabilidade, uma vez que a Medway não está a cumprir com algumas das obrigações que constavam do contrato».
Já em agosto do ano passado, as duas empresas tinham realizado um novo acordo para a que a Medway pudesse utilizar o terminal da ALB localizado no Vale da Rosa, na Península de Setúbal.
por: Pedro Pereira
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Comentários
24-04-2018 22:03:22 por Outrora
Mais uma noticia do nosso triste Portugal. Terá a Area logistica da Bobadela 1/10 do valor da medway Enquanto estas palhaçadas a medway ganha quota de mercado e a ALB perde clientes e dinheiro a tentar manter aqueles que, sendo fieis, nao se subjugam, mas, pouco mais conseguem pagar por um serviço prestado de forma digna. Espero que abram os olhos e que depois de resolver esta palhaçada façam contas ao valor de prejuizo das muitas albs que por ai andam Que vergonha.
20-04-2018 19:07:15 por Apita o Comboio
Os meus maiores Parabéns a esse Grande Sr Lourenço Silva pela sua coragem e determinação Agora só faltam os lesados pelo compadrio Vanesp MSC terem coragem de por a público a Vergonha que se vive no mercado dos fretes marítimos na MSC.Práticas Restritivas de Concorrência configuram CrimeHaja Vergonha
  
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