quinta-feira, 19 de Abril de 2018

 
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Passageiros & Mobilidade
10-01-2018

A mobilidade e a mochila
“Não, não faz qualquer sentido deixar de ter carro!”, respondia convictamente o nosso estimado Dr. Faísca ao amigo que o provocava relativamente à efetiva necessidade de ter um carro, face à multiplicidade de serviços de mobilidade que hoje utiliza em muitas das suas deslocações: carsharing, transporte público, táxi, rent-a-car, etc.

Já não estava em causa a falta de informação ou a dificuldade em aceder aos diversos serviços de mobilidade. Os planeadores de viagens descobrem as melhores opções a partir da informação em tempo real, combinando modos de transporte público e privado, coletivo e individual, regular e a pedido. As entidades agregadoras, ou “meta-operadores”, proporcionam uma forma simples e unificada de utilização e pagamento dos serviços. Tudo isto no telemóvel, à distância de um clique. A conversa continuava animada e os argumentos sucediam-se: o Dr. Faísca defendia que fazia as suas escolhas segundo o que achava mais adequado para cada situação em particular, sendo o seu carro apenas mais uma das opções. Em contraponto, o amigo realçava que, libertando-se do ónus de ter um carro, podia usar um pequeno citadino no dia a dia, desfrutar de um descapotável num ameno fim de semana e usufruir de uma boa bagageira para os longos périplos que gostava de fazer por essa Europa fora.

Tentando ir ao fundo da questão, o Dr. Faísca confessa: “Como sabes, não ligo nada à posse em si mesma e muito menos ao suposto status que possa dar. Também ando sempre à procura de tecnologia que me ajude a simplificar a vida. Nestes aspetos, estou completamente com o espírito da geração millennium! Mas o nosso carro é como uma segunda casa, onde temos as nossas coisas que precisamos”, frisou.

Fez uma pausa e, ponderando melhor, acrescentou: “Se bem que, muitas das coisas que eram imprescindíveis no carro, andam hoje connosco no telemóvel: os mapas da cidade e das estradas, os CDs com as nossas músicas preferidas, as moedas para os parquímetros e mesmo a lanterna para o caso de termos um furo numa estrada escura”. “Pois é”, concorda o amigo, “até os brinquedos dos miúdos foram substituídos pelo tablet e os veículos do carsharing já têm uma cadeirinha na mala.”

“Espera!”, interrompe o Dr. Faísca, “Tenho o equipamento do ginásio. Não estou a ver-me a andar todo o dia, de um lado para o outro, com uma mochila enorme às costas!” Começou logo a imaginar um mundo em que os ginásios faziam alugueres de cacifos à época e tinham um serviço de lavandaria e engomadoria... Como seria simpático chegar ao ginásio e ter tudo a postos para um treino revigorante, sem ser preciso levar nada. Mas rapidamente regressou à sua realidade dos dias de hoje.

Como pessoa racional que é, o Dr. Faísca ficou satisfeito por ter encontrado o argumento da mochila, matematicamente imbatível para justificar a necessidade de ter o carro. Mas não deixou de murmurar: “Afinal, se pensar que só tenho o carro porque preciso de transportar o equipamento para ir ao ginásio, estar em boa forma física está a sair-me bem mais caro do que eu pensava...”.

Não, não faz qualquer sentido deixar de ter carro, foi a conclusão do Dr. Faísca. É verdade, mas também não deixa de ser verdade que, pela primeira vez na vida, pensou no assunto e, ainda meio a brincar, mas já meio a sério, começou a fazer contas...

por Manuel Relvas
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