sábado, 27 de Maio de 2017

 
Carga & Mercadorias
16-02-2017
 
Fernando Romana – CEO da Galucho
Entre a experiência do passado e a vanguarda do futuro
Destacada no setor agrícola, a Galucho reforçou recentemente a sua aposta na área dos Equipamentos de Transportes. Em entrevista à Transportes em Revista, Fernando Romana, CEO da Galucho, revelou as mudanças ocorridas nos últimos anos e as perspetivas para o futuro.



Transportes em Revista – A Galucho surgiu em 1920. Perto de celebrar os 100 anos, como define esta Galucho do século XXI? Não é certamente a mesma.
Fernando Romana –
Não é. Esta Galucho, do século XXI, teve uma grande transformação nos últimos dois anos, teve uma transformação no corpo acionista por sucessão e também no estilo de gestão.
O novo corpo acionista entendeu que deveria estar próximo da empresa mas que a gestão do dia-a-dia e as questões estratégicas teriam que passar para um grupo de gestão profissional, ao qual tenho o prazer de presidir.

TR – Mudança de gestão significa novas apostas?
FR –
Sim. Apostámos em dois pilares fundamentais: investir no conhecimento, ou seja, desenvolver os recursos humanos e investir também na modernização de alguns métodos e processos de fabrico, incluindo a imagem da empresa. É isso que a Galucho é hoje, uma empresa que não deve ser conotada, como foi durante muito tempo, como uma metalomecânica, mas sim como uma empresa que desenvolve e que tem uma engenharia suficiente para inovar e desenvolver soluções para os clientes. Posicionámo-nos numa lógica de gestão de marca, posicionámo-nos numa lógica de gestão de processos junto dos vários mercados e dos vários clientes e posicionámos também a empresa com uma qualificação diferente, porque apostámos sempre para os lugares-chave, em soluções internas, ou seja na experiência e na história da empresa o que é muito importante. Numa determinada altura foi-nos muito útil essa experiência passada, com um misto de desenvolvimento de novas competências: as pessoas da área da engenharia, nas novas competências comerciais, o marketing que não era desenvolvido, ou melhor, era desenvolvido da forma que se achava necessária. Hoje entendemos que devemos projetar a marca, precisamos de um marketing mais profissional e mais estratégico.

TR – E apostou-se na inovação e investigação?
FR –
Sim, quando falo do departamento de engenharia é onde está incluída essa área que em 2016 aumentou em 50% o número de pessoas e com qualificações distintas. Como também apostámos no design, no design industrial...
 
TR – Definiu a Galucho de hoje. O que é que ainda falta fazer, onde é que querem chegar?
FR –
A Galucho na área agrícola é o maior fabricante da península ibérica, concorre e consegue ombrear com algumas linhas de produtos dos maiores fabricantes da Europa. Sob o ponto de vista dos mercados, quer-se internacionalizar cada vez mais. Relativamente à área dos transportes, é uma aérea que estamos a desenvolver e a querer projetar outra vez, porque a Galucho já teve muita projeção na área dos transportes. Mais uma vez a estratégia é a mesma: aproveitar a experiência, os produtos e soluções desenvolvidas no passado e desenvolver novas soluções. Neste momento estamos com uma posição de fabrico que está a crescer cerca de 60% em relação aos anos anteriores. Na área dos transportes estamos agora a desenvolver e a inovar. Estamos a trabalhar as caixas tradicionais, os basculantes tradicionais que a Galucho sempre teve, mas com novas variantes. Houve uma altura em que essas caixas eram as mesmas para qualquer atividade, hoje não. Cada segmento de atividade dos clientes determina que as soluções têm que ser desenhadas para as várias utilizações, portanto, na construção civil, nas minas ou no transporte de mercadorias, não tem que ser necessariamente utilizado o mesmo produto. Depois, trabalhamos num ambiente de baixo volume e elevado mix, ou seja, menos de cada, mas muitas variedades.
Temos 50 mil referências e essas referências têm que se traduzir nas nossas soluções. Trabalhamos essas referências porque queremos ter soluções flexíveis. Assim, produzimos muitos formatos, com uma diversidade extraordinária e tecnologicamente cada vez mais avançados. A tradicional caixa Galucho está hoje numa zona de porta-máquinas, transporte de madeira, de equipamentos para a atividade mineira, equipamento para a área da energia e para a área do ambiente. Na área da energia, onde falamos essencialmente de transporte de subestações, os nossos clientes são os grandes operadores das subestações, como a Siemens, EFACEC e outros clientes dessa natureza, como estamos a trabalhar com a FUSO do Tramagal para os camiões de pequena dimensão.

TR – Têm algum tipo de parceria com fabricantes de camiões?
FR –
Somos certificados pelas principais marcas de camiões europeias e queremos estabelecer parcerias duradouras com eles para funcionar nos mercados onde eles estiverem. Temos uma reunião marcada com a MAN, obtivemos uma certificação, no ano passado, da Mercedes. Também já trabalhamos com a Renault, com a Volvo. Portanto, alguns dos mercados que vamos descobrir, é através destas marcas.

TR – Quais sãos os mercados da Galucho?
FR –
Estamos a trabalhar com clientes em mercados como a Suíça, o Luxemburgo, França, a Holanda, a Bélgica e os mercados africanos. E muitas vezes fornecemos para o mercado europeu mas depois o destino final do camião com os equipamentos associados é um país terceiro. É algo que acontece com muita frequência. Temos que nos adaptar e o posicionamento que queremos é estar adaptados a uma diversidade de mercados infindável. Estamos também a trabalhar o sudoeste europeu, através do nosso escritório na Bulgária e continuaremos a fazer este desenvolvimento dos mercados nesta área dos transportes. A Galucho Bulgária quer atacar mercados como a Roménia, Sérvia, Croácia e Grécia.

TR – E o cliente, tem liberdade na tipologia do produto?
FR –
Naturalmente que sim. O baixo volume e elevado mix é porque os clientes têm as suas exigências, inclusive a cor. Nós adaptamos, somos muito flexíveis nisso e conseguimos com rapidez dar resposta a um pedido, fornecendo equipamentos à medida.

TR – Dessa forma há entregas em grandes quantidades?
FR –
Há mercados que sim, quando temos um concurso ou num projeto de maior dimensão, mas normalmente são projetos muito específicos. O trivial no mercado dos transportes, que nos possam encomendar, está entre os 20 e os 10 equipamentos.

TR – Qual é o volume de produção previsto para este ano?
FR –
O volume de produção projetado para 2017 são cinco milhões de euros, que representa em termos gerais, cerca de 600 equipamentos. Face a 2016, é um crescimento de 60%. Há uma aposta para 2017 clara.
Começamos em 2016 a prepar a engenharia, o desenvolvimento a nível de produtos e uma abordagem aos mercados.

TR – Resumindo, com a nova imagem, aposta no futuro e previsão de crescimento, é esta a nova Galucho?
FR –
Esta é a Galucho do século XXI, que tem um programa definido e não mudou a imagem só por mudar. Mudou porque queria dar uma perspetiva de viragem e mudança ao mercado porque essa é a parte que se vê externamente.
Internamente houve uma transformação organizacional, suportada numa estrutura sólida e isso é importante. Hoje conseguimos responder aos mercados e clientes com muito mais rapidez e flexibilidade e com muito mais eficácia, até através da nossa eficácia de preço. Isso é aquilo que estamos a fazer e já se começa a sentir alguma alteração. Também devo dizer que havia muitas coisas bem feitas no passado e também as queremos aproveitar.
As instalações fabris que são invejáveis, investimento em equipamentos, a perspetiva de que tínhamos determinados mercados que são importantes e de ter uma linha de produtos alargada que cubra praticamente todas as regiões do globo, quer na parte agrícola, quer na parte dos transportes que estamos agora a desenvolver mais. Se nós obtivermos neste momento o tal crescimento de 60% na área dos transportes, conseguimos em parte pela capacidade e pela visão que alguém antes de nós teve. Trata-se de aproveitar e equilibrar as coisas entre a experiência do passado e a vanguarda do futuro.
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Comentários
09-03-2017 12:37:05 por LUIS RIBEIRO
QUANDO HA UNS ANOS QUIZEMOS CONTACTAR A EMPRESA O ATENDIMENTO DUM DOS SOCIOS FOI MUITO PAUPERRIMO
  
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