segunda-feira, 24 de Abril de 2017

 
Passageiros & Mobilidade
01-02-2017
A partir de 1 de fevereiro
Câmara Municipal de Lisboa já é dona da Carris
Foi assinado o memorando de entendimento que permite a transferência da Carris para o domínio da Câmara Municipal de Lisboa. A transição da gestão da empresa foi assinalada com uma viagem de elétrico entre Santo Amaro e a Praça do Município, que contou com a presença do Primeiro-Ministro, António Costa e do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina. António Costa referiu mesmo que “a Carris regressou a casa” e que este era um dia de “boas notícias”. De acordo com o primeiro-ministro, "a valorização da Carris é fundamental para a promoção do novo paradigma de circulação nos meios urbanos", privilegiando-se o transporte público em detrimento do transporte individual. Segundo o responsável, é fundamental que a gestão das redes de transportes esteja a cargo de quem governa as cidades e que esse facto irá trazer maior qualidade de serviço. "Esta era uma das opções fundamentais do Programa de Governo, na prioridade que deu à descentralização", disse Costa. No entanto, a passagem da Carris para a tutela da Câmara não foi isenta de polémica, uma vez que o PCP entregou na Assembleia da República um pedido de apreciação parlamentar do diploma que transfere a Carris para o município, acompanhado de propostas de alteração ao decreto do Governo. Sobre a atitude do PCP, António Costa referiu que os comunistas já tinham esclarecido “que a iniciativa não coloca em causa esta transferência da propriedade nem a vigência do decreto de lei. Porventura, deseja ter algum aperfeiçoamento mas não põe em causa esta transferência, e isso é o essencial e a transferência está hoje consumada, está feita”.
Já o novo “dono” da Carris, Fernando Medina, presidente da CML, garantiu que a passagem da Carris para a autarquia irá traduzir-se em “mais autocarros, mais motoristas, mais rede” e “passes mais baratos a partir de hoje”. Segundo o edil alfacinha, “vai mudar muito na vida da Carris e vai mudar muito na vida dos lisboetas. Nós vamos fazer um forte investimento na Carris”.


Passes gratuitos, Rede de Bairro, Wifi e mais corredores BUS
Fernando Medina promete muitas novidades no serviço da Carris não só ao nível do serviço como também dos tarifários. A primeira alteração é a redução do preço dos passes para as pessoas com mais de 65 anos, que a partir de hoje custam apenas 15 euros, e o passe gratuito para os jovens até aos 12 anos. Estas medidas, refere o presidente da CML, são “um forte incentivo à utilização do transporte público e um forte apoio ao rendimento das famílias”.
O objetivo, refere Fernando Medina, é que os transportes possam ser “a espinha dorsal do sistema de mobilidade” de Lisboa, para que daqui a três anos “possamos ter melhores transportes públicos, que funcionem a horas, com mais qualidade, previsibilidade, conforto e acessibilidade.”
Para tal, a autarquia vai apostar no conceito de “Rede de Bairro”, através da criação de 21 novas carreiras que ligarão os principais equipamentos de cada bairro, como o mercado, a farmácia, supermercado, a escola e todas as grandes equipamentos de utilização coletiva De acordo com o Público, este ano irão já começar a funcionar duas novas linhas em Marvila, Olivais e Parque das Nações. Até final de 2019, serão implementadas as restantes, que passam por Alvalade, Arroios, Avenidas Novas, Beato, Belém, Benfica, Campo de Ourique, Campolide, Carnide, Estrela, Lumiar, Misericórdia, Penha de França, Santa Clara, São Domingos, São Vicente, Santo António e Santa Maria Maior.
Outra das novidades avançadas pela autarquia é a integração com o sistema de parques dissuasores que estão a ser construídos pela autarquia, que terão um preço simbólico. Estão ainda previstas a articulação com a rede de bicicletas partilhadas, a criação de mais faixas Bus de alto desempenho nas principais vias e a disponibilização de wifi em todos os autocarros da Carris.
 
por: Pedro Pereira
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Comentários
01-02-2017 16:24:19 por Carlos Gaivoto
Com pompa e circunstância, aquilo que pode ser entendido como uma vantagem por uns, é entendido como uma desvantagem por outros e não estou a falar de partidos, estou a falar do que sei. Passo a explicar, aproveitando, o texto que também enviei à CT da Carris e do Metro: Um dia, não são dias, como diz o povo mas, é interessante que a CT e outros sindicatos reajam, finalmente, a matéria tão importante para o futuro do TP na AML: a questão da autoridade e da propriedade das infraestruturas e meios colectivos de transporte.Tem havido pouco debate sobre este tema de quem é quem e em relação à propriedade das infraestruturas e dos meios que permitem oferecer um serviço público de transporte urbano alternativo ao automóvel.Como estou por cá, há 40 anos e dois meses, fico perplexo com esta evolução de como a coisa pública é tratada, em particular, por aquelas entidades como o Estado Administração Central e a Autarquia Administração Local o fizeram nestas últimas décadas. Já se esqueceram, por certo, o que foi o ignorar por parte do Estado, as ICs devidas e a redução da oferta de serviço público e consequentemente de pessoal e as enésimas reuniões, por parte da CML, havidas entre a CCFL e CML, em que se colocava como prioridade o TC e a CML ignorava essas prioridades, como aquela da Linha 15, quando se tentou fazer a recuperação integral da Linha 15 na década de 90, depois de dois anos e meio em reuniões, só se tinha conseguido ir de Algés a Belém e claro, a CML não implementou qq medida Afirmar dum dia, pro outro que há um antes e um depois dando a entender que terá havido culpado na gestão da coisa pública e ela se atribui sómente à CCFL/Estado enquanto entidade o que inclui os seus trabalhadores, é dum autêntico desprezo por quem vidas de milhares de trabalhadores que por aqui passaram e outros que estão ao activo e se dedicaram à causa pública. Não haja, portanto, demagogia. A agenda neoliberal estava em funcionamento e ainda está por parte de governos do PS e do PSD.Haja vergonha no que se afirma e vamos ao que interessa: em primeiro lugar, a CML nunca deu prioridade ao TC e muito menos à CCFL. Deuse e continuase a dar a prioridade ao Transporte Individual TI e ainda hoje, se continua a financiar o TI com a construção de parques de estacionamento no centro da cidade vejase a vergonha do parque que está a ser construído no Campo das Cebolas, o que foi construído na Praça D.Luis I, etc. e o que viria com a 2ª Circular em segundo lugar, a questão do Operador Interno que é ignorado pelo Estado porque isso dá trabalho a construir e a questão da Autoridade de Transportes com todos os municípios que para ser autoridade, tem de ser proprietária das infraestruturas e emeios colectivos que ficam sob a sua gestão delegada e que tem de contratualizar, por isso, o Operador Interno em terceiro lugar, falase de descentralização em 2017 mas, não se quer efectivála porque a autoridade precisa de ser a proprietária desses meios para ter capacidade de financiamento mas, o Estado ao ter feito este negócio da Carris com a CML, cede perante uma pressão unilateral e abandona a criação de condições para se ter uma política coerente e integradora de desenvolvimento sustentável de alternativa à dependência do automóvel e as suas respectivas consequências. Falase descarbonização da sociedade mas, na prática não se faz o que noutros países já fizeram, o Transport Act. Ora, a CML ao ignorar a Autoridade de Transportes, neste caso, a AML, para o sector do TP urbano e definirse em entidade proprietária da Carris, a explicação só pode ser encontrada por uma razão: o património imobiliário, a começar pelos terrenos de Santo Amaro leiase o PUA Plano de Urbanização de Alcântara e compreendese o que está em jogo pois, do lado da CML não há nem experiência, nem conhecimento com competência técnica para tratar as redes de TC, o que é explicado, em parte, pela contratação de entidades privadas como consultores. Outro comportamento ainda mais estranho, é o de ter ignorado os pedidos da comissão de mobilidade e território da Assembleia Municipal de Lisboa para apresentar as propostas de rede e de transição até hoje, não há resposta. Entretanto, o que se passa dentro da CCFL e que a CT da Carris devia estar interessada em acompanhar e não o faz: também se contratam entidades privadas como consultores para tratar da rede, ignorando os corpos técnicos da Carris, à semelhança do que aconteceu com a Rede 7 por sinal, o mesmo consultor que tratou a rede que e que reduziu a oferta de serviço para se reduzir o número de trabalhadores numa estratégia de privatização. Esclarecidos Ainda não.É que a haver um Operador Interno integrado CP_sub ML TT/Soflusa CCFL, isso obriga o Estado/Governo a fazer a uma grande reforma política, institucional e adminstrativa do lado da Administração Central e da Administração Local. Dum lado, é preciso que o Ministério, responsável pelo sector, tivesse uma visão estratégica de integração de questões relacionadas com o Território, Ambiente, Energia e Transportes, o que obriga a reforçar as equipas técnicas organizadas a partir de direcções gerais entretanto, têm sido esvaziadas e substituídas por Institutos agenda neoliberal por se ter e haver diminuído a regulação do sector e houvesse do lado da Administração Local uma Autoridade Metropolitana de Transportes entidade comunitária com poder de se financiar e de financiar o TC em todos os países Europeus elas existem. Em Portugal, é o que é continuamente a ser torpedeados e por quem menos se espera, neste caso, pela própria CML que já quando da lei 1/2009 estava em vigor lei do PS, o anterior presidente da CML e presidente do CG da AMTL, não teve a ousadia de desenvolver a autoridade porque queria decidir sem financiar... Financiamento Esse é, também, outro dos problemas e que só será resolvido não unilateralmente mas, quando houver um Transit Act para todo o sector, coisa que todos chutam pró lado, não fosse impedir a agenda neoliberal. EntendidosPortanto, não se trata da Carris, do ML, da TT ou da CPsub ficarem na orla/alçado do Estado, como está a ser equacionado pelo PCP, ou até pela CT da Carris no sentido oposto, tratase sim, de construir um Operador Interno Integrando os Operadores Públicos e que ajude ou seja o eixo principal do desenvolvimento duma estratégia de sustentabilidade da sociedade e que os privados, pela lei do lucro, não estão sequer interessados vejamse os preços que eles praticam na AML apesar de serem subsidiados. Mas, para construirse um Operador Interno, à semelhança duma RATP operador público da Região de Paris e à nossa escala, para isso, é preciso que os trabalhadores destas empresas sejam autónomos e saibam fazer crescer a coisa pública e não é com declarações políticas como se tem vindo a assistir neste últimos tempos que se faz o Operador Interno, é com estratégia, conhecimento, sabedoria e experiência É para isso que cá estamos e não para cumprir decisões antieconómicas transmitidas por estes CAs nomeados e sem serem controlados democráticamente. O exemplo da RATP onde existe um colégio de administração com representantes dos trabalhadores da empresa, Estado e outras entidades públicas dignifica os trabalhadores e consegue gerir um Orçamento superior a cinco mil milhões de por ano, cresceu de 35 mil trabalhadores em 1985 para 60 mil trabalhadores em 2016, além de ter um plano de investimento público superior a 20 mil milhões de até 2030 com planeamento estratégico conseguese o que aqui não se consegue, vejase o caso do tarifário uma vergonha O Transporte Colectivo Urbano é matéria sim e precisa de ser cuidada como qualquer arte ao serviço público que se preze num Estado Social, o que não tem sido nestes últimos 35 anos, onde a ideologia da agenda neoliberal continua a persistir business as usual. E o esclarecimento faz parte desse nosso conhecimento e dessa sabedoria, o que a CT não tem demonstrado até aqui nem sequer reuniu com os trabalhadores que têm sido atirados dum lado pró outro os trabalhadores continuam a ser tratados como meros peças dum jogo que se define noutros tabuleiros. enviado à CT da Carris e c/c CT do Metro em 31 de janeiro de 2017, ano declarado como o ano da descentralização. A questão que se coloca é saber: que descentralização
  
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