sexta-feira, 20 de Outubro de 2017

 
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Carga & Mercadorias
18-01-2017

Há investidores?
E querem alguma coisa connosco?
Recentemente, em entrevista, Ana Paula Vitorino, Ministra do Mar, anunciava que o setor portuário, nos próximos dez anos, iria ser alvo de investimentos no valor de 2,5 mil milhões de euros.

Acautelando desde logo a origem deste investimento, clarificou que quatro quintos deste valor corresponderia a investimentos privados, ficando o Estado com a responsabilidade de garantir os restantes 500 milhões de euros, tendo estes origem nas administrações portuárias e em fundos comunitários.

Remetendo para as “Orientações Estratégicas”, a apresentar em final de novembro, que acabou de terminar, a governante avisou que serão os espanhóis a estarem preocupados com os portos nacionais, já que estes cresceram 180% na última década e é estimado que na próxima cresçam 200% no mercado dos contentores.

Desde há anos que ouvimos estes “amistosos avisos” aos nossos vizinhos, mas julgo que eles já nos conhecem bem e ao olharem para a realidade nacional, sabem que nem Sines “invadiu” Madrid, Valência ou Algeciras - como alguns previam há uns anos - e que a real penetração do “hinterland” dos portos nacionais pouco mais se resume à presença de duas empresas portuguesas presentes na região da Extremadura espanhola que operam com o modo ferroviário para os portos nacionais.

Convenhamos que 10 milhões de euros de investimento público por ano, nos cinco principais portos nacionais, parecem ser muito pouco para seduzir e captar os 200 milhões de investimento privado por ano em todo o sistema portuário.

Só com mais investimento se poderá atingir a meta dos 200 milhões de toneladas movimentadas até 2040, que os agentes de navegação identificaram como possível no seu último congresso e que o estudo da PwC, encomendado pelas Comunidades Portuárias, também refere.

Mas não é só no investimento público que os investidores acreditam. O que lhes importa é saber que a visão do País e do setor esteja definida. Que as estratégias sejam consistentes e duradouras e as ações estejam esplanadas em planos de concretização real, monitorizáveis e mensuráveis.

Otimizar as capacidades existentes, concertar e agilizar processos e procedimentos, é salvaguardar a extração máxima do valor das infraestruturas já existentes e isso é uma garantia “incorpórea”, valorizada por investidores e novos mercados.

As opiniões contrárias a potenciais planos do Governo, enquanto se está na oposição, não aduzem confiança e minam a credibilidade, quando os mesmos os promovem quando estão no poder.

Assim, podemos prometer aos nossos vizinhos a conquista, mas continuaremos a fazer a pergunta: Há investidores? E querem alguma coisa connosco?

por José Limão
Tags: Investimento   Opinião  
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Comentários
27-01-2017 13:00:54 por Mário Costa Macedo
Pragmático, claro e objectivo
23-01-2017 18:50:35 por luis pereira
Enquanto a MINISTRA do MAR demora mais do que 1 ano a negociar as concessões dos terminais de contentores ainda não assinou a 1ª, Leixões, faltando Liasboa Setúbal e por fim Sines, os NUESTROS HERMANOS extendem as suas concessões em prazos de mais de 50 anos para que os seus maiores terminais de contentores do Mar Mediterrãnico, ao lado de Sines, vão concorrer com os maiores do Norte da Europa, localizados na Holanda, Bélgica, Alemanha e os novíssimos terminais de Inglaterra, assim não vamos competir com Algeciras e Valência
  
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