quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

 

 
 
 
 
 
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Passageiros & Mobilidade
11-11-2016

Meta-operadores: Quem quer ser milionário?
As pessoas que usam os vários serviços públicos no seu dia-a-dia são as mesmas. Daí que existam semelhanças nas evoluções e tendências registadas em serviços como o transporte de informação, energia ou pessoas, em particular na forma como chegam aos seus clientes. Mas tal acontece a velocidades necessariamente diferentes: em geral, quanto mais ligeiras são as infraestruturas de suporte, mais rápida é a mudança, sendo as tecnologias de informação e comunicação um catalisador invariavelmente presente.

A aplicação destas tecnologias tem permitido aumentar a simplicidade e a flexibilidade no consumo destes serviços, agilizando a exploração dos operadores instalados e permitindo o aparecimento de novas formas de prestação dos serviços e de novos modelos de negócio. Todas estas transformações respondem às necessidades de uma clientela cada vez mais exigente, colocando novos desafios de competitividade a todos os atores do mercado. Não é, pois, de estranhar que os ventos de mudança na mobilidade urbana tenham começado pelos segmentos mais expostos ao mercado, como é o caso do transporte em viaturas com condutor.

As pessoas já não vão ter com o serviço, por exemplo numa praça de táxis, mas querem que o serviço vá ter com elas, através de um pedido feito no momento, em qualquer local e sempre à distância de um simples clique. Ao fim e ao cabo, exatamente o mesmo que aconteceu na migração do serviço fixo para o serviço móvel das telecomunicações. Só que, como seria expectável, e apesar de serem transformações similares no que toca ao conceito de disponibilização do serviço, as telecomunicações anteciparam-se uns 15 anos em relação à mobilidade.

Seguindo este paralelismo, será a convergência das telecomunicações o prenúncio de uma próxima revolução na mobilidade? O sucesso foi estrondoso: lançados há cerca de 10 anos, os pacotes integrados de serviços de comunicações (fixo e móvel, voz e dados, internet e multimédia) estão hoje presentes em 8 de cada 10 famílias portuguesas. E a razão é evidente: um conjunto abrangente de serviços por um valor mensal fixo, o que permite juntar a previsibilidade do serviço à previsibilidade do preço, já anteriormente proporcionado pelos modelos pré-pagos.

Mas o que serão pacotes integrados de mobilidade? Talvez algo como um pacote executivo por 299,99 euros mensais, incluindo transporte público ilimitado na sua cidade, 50 km de táxi, 250 km de car-sharing, 100 litros de combustível, 1 lugar de estacionamento em parque e 20 horas de estacionamento de superfície. Ou um pacote estudante por 49,99 euros mensais, incluindo transporte público ilimitado entre a escola e casa, 20 viagens de transporte público na sua cidade e 20 km de táxi. Ou ainda, um pacote familiar com alguma combinação destes formatos.

Esta abordagem ao negócio conduz-nos a um novo conceito, que podemos designar de META-OPERADOR: uma entidade que congrega os serviços oferecidos por diferentes operadores e os “empacota” numa oferta integrada, para uma base de clientes própria. O que levanta, desde logo, uma nova questão: que entidades serão estas? Surgirão dos atuais operadores de serviços ou infraestruturas da mobilidade? Resultarão da evolução de agregadores de pagamentos? Serão entidades que gerem grandes bases de clientes, eventualmente em campos que nada têm a ver hoje com mobilidade?

Seja como for, serão entidades totalmente focadas na gestão dos seus clientes, procurando continuamente ofertas que satisfaçam, de forma transversal, as suas necessidades de mobilidade. Muito proactivas e dinâmicas na colocação dos seus produtos no mercado, necessitarão de recursos significativos para atingir a massa crítica essencial à sustentabilidade do negócio. E, quem tiver uma ampla experiência em mercados muito concorrenciais, partirá com a enorme vantagem de já saber como angariar e reter os clientes. A dimensão e índole dos meta-operadores levarão a que acordos de roaming entre eles tornem o negócio da mobilidade realmente global.
O mercado está aí, com um volume superior ao das telecomunicações, considerando apenas os serviços diretamente associados à mobilidade das pessoas (transporte coletivo, táxi, portagens, combustível, estacionamento) e que triplica se incluirmos os encargos com a posse de veículo próprio. Alguém interessado?

por Miguel Relvas
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