terça-feira, 23 de Janeiro de 2018

 
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Carga & Mercadorias
07-10-2016

Sustentabilidade Logístico-Portuária:
O papel da inovação na era da descarbonização dos transportes marítimos, dos portos e das cidades

A Agenda para o Desenvolvimento Sustentável 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) incitam os países a procurem atingir o desenvolvimento sustentável em todas as três dimensões, económica, social e ambiental, simultaneamente. Neste contexto, o comércio internacional é esperado desempenhar um papel importante como meio potenciador da realização dos ODS.


Na prática, continua a ser um grande desafio para todos nós encontrarmos equilíbrios entre a maximização da eficiência das trocas comerciais e as diretrizes do desenvolvimento sustentável. Neste mundo cada vez mais globalizado, alcançar os ODS como agenda universal requer coerência política a todos os níveis (nacional, regional e global), inovação tecnológica, eficiência, bom senso e muita harmonia nos interfaces das diferentes peças deste puzzle (os 5 P´s).
Pessoas - Acabar com a pobreza e a fome e a assegurar que todos os seres humanos possam realizar o seu potencial em termos de dignidade e de igualdade e num ambiente saudável;
Planeta - Proteger o planeta da degradação, incluindo o consumo e a produção sustentáveis, gestão sustentável dos seus recursos naturais e uma ação urgente sobre as alterações climáticas, a fim de que ela possa suportar as necessidades das gerações presentes e futuras;
Prosperidade - Assegurar que todos os seres humanos podem desfrutar de prosperidade e que o progresso social e tecnológico ocorre em harmonia com a natureza;
Paz - Favorecer sociedades justas, inclusivas livres de medo e violência (não pode haver desenvolvimento sustentável sem paz e não há paz sem desenvolvimento sustentável);
Parcerias - Mobilizar os meios necessários para implementar a Agenda através de parcerias globais para o Desenvolvimento Sustentável com base num espírito de reforço da solidariedade global, nomeadamente sobre as necessidades dos mais vulneráveis e com a participação todas as partes interessadas.



Um porto comercial é um elo da cadeia logística de transporte e atua em sistema de rede com todos os atores que ligam os respetivos hinterland´s aos foreland´s. De facto, um porto sustentável é um sistema de sistemas interdependentes com processos complexos, onde se desenvolve um vasto leque de atividades e se cruzam relações de negócio e administrativas entre um alargado conjunto de intervenientes.

Cada vez mais um porto é visto como um elo principal de uma rede de atores que prestam serviços logísticos, um motor de desenvolvimento regional sustentável. Em face deste intrincado relacionamento entre os atores, as administrações portuárias são desafiadas a:
Definir estratégias de ação que procuram maximizar a eficiência e eficácia do funcionamento do modelo (Prosperidade);
Mitigar os riscos e os impactes ambientais dos diferentes processos (Planeta)
Gerar empregos e postos de trabalho em condições de higiene e segurança (Pessoas);
Integrar e promover a articulação dos parceiros de negócio (Parcerias);
Promover trocas comerciais seguras, gerando conexidade e resiliência ao longo dos atores da cadeia logística (Paz).



Alguns destes desafios societais afiguram-se de compatibilização extremamente complexa e por vezes até antagónica. Por exemplo, a indústria do Shipping está constantemente à procura de soluções novas para os seus navios, pois mantem-se fortemente pressionado pelas vicissitudes dos mercados mundiais e cumulativamente pela apertada regulação internacional, debatem-se por maximizar a sua eficiência, manter a sua competitividade e a resiliência do transporte marítimo. As subsequentes réplicas materializando-se na formação de alianças globais (mitigação de riscos comerciais) na crescente dimensão dos mega porta contentores (Potenciar a eficiência decorrente dos efeitos de escala) e na experimentação dum enorme manancial de engenhosas soluções tecnológicas, tais como:
Novos esquemas de pintura dos cascos;
Lubrificação do casco com bolhas de ar;
Evolução da hidrodinâmica das carenas e dos aparelhos propulsores;
Introdução de combustíveis com menor teor de enxofre;
Introdução de combustíveis alternativos, como por exemplo o LNG;
Máquinas principais menos poluentes e energeticamente mais eficientes;
Introdução dos Scrubbers (filtros dos gases de evacuação);
Adoção do Slow Steaming (redução das velocidades de navegação);
Recuperação energética das amplitudes térmicas e das ações dinâmicas do navio;
Weather Routing, i.e. roteamento da viagem em função das condições meteorológicas e das correntes oceânicas; Etc,….



A IMO já reviu o Anexo VI da MARPOL para impelir à obtenção de mais cortes nas emissões sulfurosas dos navios, reduzindo dos correntes 3.5% para 0.5% até janeiro de 2020, está em curso um estudo de execuabilidade que deverá ser concluído até 2018.

Os portos tentam adaptar-se às iniciativas empreendidas pelos Armadores, parece tornar-se consensual que a tecnologia pode ajudar a resolver alguns dos problemas ambientais e simultaneamente a melhorar a eficiência operacional exigida pelo seculo XXI. Inclusive alguns portos passaram a aplicar sistemas tarifários indexados à eficiência energética de cada navio, mais concretamente ao Environmental Ship Index – ESI bonificando os armadores que investem na eficiência e na redução de emissões gasosas.

Contudo, novas soluções tecnológicas e novas exigências regulamentares geram igualmente novos problemas e despontam dicotomias que exigem soluções de compromisso.



Soluções de integração da cadeia logística e tendências tecnológicas
Os portos são fundamentais não só para o setor dos transportes marítimos como também para outros setores, e o seu potencial de crescimento para os anos vindouros é elevado. São portas de acesso à rede global de transportes e, como tal, são motores de desenvolvimento económico e fontes de prosperidade para países, cidades e regiões.

Para que este desígnio seja realmente maximizado estamos a assistir a uma nova “Revolução Digital” impulsionada pelos desígnios da sustentabilidade. Efetivamente coabitam dois canais fundamentais um canal informacional e canal físico, ambos suportados por novas plataformas informacionais onde estão disponíveis funcionalidades como as de seguir a mercadoria durante o transporte, comparar preços entre os vários prestadores e rotas alternativas, avaliação da pegada ambiental para cada opção de transporte.

Atualmente no porto de Setúbal está a decorrer um projeto de inovação/demonstração desenvolvido conjuntamente com a Agência Espacial Europeia ESA absolutamente disruptivo, no que concerne ao sincronismo de modos de transporte e consequentemente na redução ineficiências na transferência modal. EUROPORT – https://artes-apps.esa.int/projects/ europort-demo-project

A georreferenciação dos diferentes meios de transporte (permite o ajuste ótimo de velocidades relativas e por conseguinte redução de emissões). Centrada ao nível dos serviços logísticos (Logistic Layer) onde os múltiplos operadores conjugam os seus serviços e processos. Assistimos à experimentação do conceito do E-Maritime, a qual visa melhorar a partilha de informações que permite aos carregadores escolherem previamente o serviço de transporte mais adequado às suas necessidades, reduzir o tempo e os recursos absorvidos pelo cumprimento de exigências administrativas e permitir que os prestadores de serviços de transporte e logística para otimizar a gestão dos meios de transporte em tempo real, facilitando assim a criação de transportes ambientalmente mais eficientes.

Internacionalmente assistimos como vetores de inovação logística os navios autónomos e à eletrificação global da cadeia logística.

Relação Porto - Cidade
O que faz das cidades portuárias cidades diferentes das outras? Evidentemente o Porto, em especial a sua disposição espacial, económica e impressão cultural sobre a cidade. Devido às suas características comuns, as cidades portuárias têm desafios comuns mas nem sempre fáceis de compatibilizar.



Como parte de uma nova série de normas internacionais a ISO 37120 fornece uma abordagem integrada e holística para o desenvolvimento sustentável, analisa um conjunto de indicadores padronizados em 17 áreas orientadas para a salvaguarda da qualidade de vida, a promoção da inovação a saúde, a segurança e o ambiente.
No que respeita aos portos existem um conjunto de indicadores (KPI´s) Key Performance Indicatores que permitem uma visão holística da sustentabilidade dos processos do Porto, no caso do Porto de Roterdão aplicam-se os indicadores referidos no QUADRO 3.



Conclusão
“Sustentabilidade é uma jornada, não um destino”. A estratégia para o crescimento sustentável deve passar pelo investimento seletivo e reprodutivo, na identificação de soluções de negócios a longo prazo, as quais proporcionam a base para a melhoria contínua dos interfaces Porto-Cidade e Porto-Navio”.

por Pedro Ponte, Porto de Setúbal
 
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