quarta-feira, 22 de Maio de 2019

 
STCP
Carga & Mercadorias
04-02-2013

Quadros marítimos
O que a sua profissão diz sobre si?

O contacto com o mar pode moldá-lo profissionalmente. Se por um lado estimula o desenvolvimento de algumas das competências mais apreciadas por todo o tipo de empregadores, por outro, há competências que ficam para trás e são essenciais ao sucesso…

Sabia que trabalhar no Mar potencia o desenvolvimento de competências específicas? Quem o diz é a PwC – PricewaterhouseCoopers, na última publicação do seu barómetro anual da Economia do Mar, o LEME. Com uma novidade este ano: uma secção dedicada ao capital humano, que traça o perfil dos quadros marítimos.

Embora o estudo não faça a distinção por profissão específica, permite generalizar algumas competências que assistem os profissionais superiores e experientes que fizeram do Mar a sua vida.
 

As conclusões têm por base um inquérito realizado a personalidades relacionadas com os diversos subsetores da economia do mar, tendo presente o conceito de trabalhador experiente do setor da economia do mar que conhecem.
Uma das conclusões do inquérito efetuado é que competências como a liderança, o trabalho em equipa, a flexibilidade e a proatividade são muito desenvolvidas nas pessoas que trabalham no mar, «o que se explica pela complexidade do trabalho desempenhado, sem margem para errar, pelo contacto com diversas realidades e culturas, bem como pela excelência das escolas ligadas ao mar», refere Miguel Marques, Diretor Executivo para Economia do Mar da PwC. «De referir ainda que uma das causas apontadas para o desenvolvimento de competências de excelência no mar é que quem opera no mar está permanentemente sujeito a imprevistos e depende sempre de um elemento sobre o qual não tem controlo absoluto, esse mesmo mar», adianta ainda o responsável pelo estudo, comentando que «é curioso que, tal como no mar, vivemos atualmente um período de grande imprevisibilidade na economia global», pelo que, para Miguel Marques, «talvez a Escola de Competências Mar nos possa ajudar a aprender a sobreviver nesta nova realidade».

De um modo geral, as competências avaliadas, aquelas que são consideradas como fundamentais pelos principais empregadores em todo o mundo, obtiveram resultados muito positivos. No entanto, as que sobressaíram menos nos trabalhadores deste setor foram a orientação para resultados e o empreendorismo. Pelos resultados apurados, Miguel Marques destaca duas conclusões, no fundo «pistas a explorar de forma mais profunda». Por um lado, as exigentes condições de operação no meio marítimo reforçam naturalmente várias competências procuradas por grandes empregadores em todo o mundo, pelo que pode-se entender o «mar como escola de talento». No entanto, o contacto com o mar desenvolve menos competências como orientação para resultados e empreendorismo, que deverão ser aprimoradas através de outros apoios.
 


Ver o mar como uma escola de talento é também, para o responsável, «uma grande oportunidade para a economia do mar e para a economia Portuguesa em geral, pois com um baixo consumo de recursos, aproveitando as capacidades formativas naturais do mar, podem alcançar-se excelentes resultados em termos de desenvolvimento do talento dos portugueses. Talento este com grande aplicação prática ao mundo do trabalho e das empresas». Miguel Marques refere ainda que, adicionalmente, a necessidade de sofisticação dos subsetores tradicionais e a emergência dos subsetores relacionados com os novos usos do mar permitem antecipar uma nova vaga de oportunidades de emprego qualificado e sofisticado.

Referindo-se à competência menos desenvolvida nestes profissionais, Miguel Marques afirma que, para que Portugal tenha uma economia do mar robusta e sustentável no médio prazo, é fundamental tomar medidas no sentido de promover o desenvolvimento do empreendedorismo: «O aproveitamento adequado de todas as oportunidades que o mar pode dar à economia nacional só será possível com uma sólida base de empreendedores do mar. Uma das grandes dificuldades no desenvolvimento do empreendedorismo é que esta competência necessita de ser incentivada. A boa notícia é que incentivar o empreendedorismo não significa necessariamente despender grandes recursos, mas sim reduzir a carga burocrática associada ao mar, criar regras claras e estáveis para todos, cooperar internacionalmente, partilhar ganhos e perdas, reconhecer a importância social do empreendedor que acrescenta valor e gera emprego, verificar o cumprimento das regras por todos os operadores e penalizar o incumprimento, entre outras medidas».
 


No que diz respeito ao subsetor dos portos e transportes marítimos, o Barómetro não deixa dúvidas de que este é um subsetor fundamental da economia do mar. Esta «robustez» advém, segundo Miguel Marques, de vários fatores: como a boa localização geográfica, boas infraestruturas portuárias, boas equipas de gestão, mas, acima de tudo, do «excelente talento da generalidade dos profissionais dos portos, que permitem destacar Portugal a nível internacional nesta matéria, criando assim, uma grande oportunidade de exportação de serviços e tecnologia portuária para outros países». Já no setor dos transportes marítimos, o estudo apura que, embora «não se identifiquem muitas empresas nacionais de média e grande dimensão, as empresas nacionais que operam neste setor têm um razoável grau de sofisticação e um capital humano bem formado e competente». Neste campo, Miguel Marques sublinha que é ainda de referir «que o talento dos portugueses é muitas vezes requisitado por empresas internacionais de transporte, contribuindo para o sucesso das empresas que representam».
 

 
por: Andreia Amaral
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