segunda-feira, 25 de Junho de 2018

 
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Passageiros & Mobilidade
16-06-2016

Observatório da Mobilidade
“A informação é crucial para podermos gerir bem o sistema de mobilidade”
A Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA) celebrou recentemente protocolos com a CP e Transdev para a partilha de informação com o seu "Observatório da Mobilidade".
À conversa com a Transportes em Revista, Ribau Esteves, presidente da CIRA, clarificou a importância do Observatório da Mobilidade e não só...


Transportes em Revista - O observatório da Mobilidade é um instrumento fundamental para a definição de politicas de mobilidade. Como pretende “seduzir” outros agentes do sistema a disponibilizarem dados?
Ribau Esteves - Este é um caminho complexo, pois o sector dos transportes tem obviamente processos de concorrência entre os vários operadores e modos e temos de os levar a partilhar informação, assumindo o compromisso de a codificar para não estar universalmente acessível por forma a respeitar as questões de natureza comercial.
Hoje assinamos protocolos com a CP e Transdev, entidades relevantes na mobilidade da região e estamos prestes a assinar com o IMT que tem sido um parceiro importantíssimo nos trabalhos preparatórios na operacionalização da nossa Autoridade de Transportes. A informação é crucial para podermos gerir bem o sistema de mobilidade e por isso saudamos os parceiros que hoje aderiram ao processo para termos uma Autoridade competente, no fundo para fazermos aquilo que interessa a todos, que é servir melhor os cidadãos e fazer com que haja mais cidadãos que optem pelos modelo coletivos de utilização do transporte e vão secundarizando o automóvel.

TR - A recente delegação de competências na gestão dos sistemas de mobilidade, trouxe um grau superior de exigências e responsabilidades às autarquias. Como vê este processo?
RE - Saudamos o governo anterior pela iniciativa e o atual por prosseguir esse caminho. E estamos muito empenhados, aliás no seguimento da nossa decisão política de passar do plano para a operacionalização estamos a trabalhar com muita intensidade na instalação da Autoridade Intermunicipal ou Regional de Transportes, sediada na Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro. Estamos numa fase de diagnóstico, a trabalhar com o IMT para manusearmos o SIG-Gest que é uma peça fundamental neste processo, para tratarmos do licenciamentos dos vários circuitos dos transportes públicos rodoviários de passageiros e o quanto antes, mesmo antes de 2019, podermos lançar o concurso público para gerirmos todos os transportes rodoviários de escala municipal e intermunicipal.

TR - Muitas autarquias, CIM’s e Áreas Metropolitanas têm contestado a falta de recursos financeiros para o pleno exercício das novas competências. Qual a posição da CIRA nesta matéria?
RE - Nesta fase não! Estamos empenhados em montar o sistema e em sermos nós os líderes da sua gestão. Esta é a grande oportunidade que o novo regime jurídico nos dá. E a questão é esta: nós assumimos isto, porque achamos que a legislação está correta e porque achamos que nós vamos ser muito melhores gestores dos transportes na região de Aveiro do que qualquer entidade de dimensão nacional, sediada em Lisboa.
É por isso que estamos empenhados e já investimos centenas de milhares de euros, o nosso Plano Intermunicipal de Transportes custou meio milhão de euros e com outras prestações de serviços adicionais, não andará longe de 1 milhão de euros e portanto, é o nosso dinheiro. Estamos numa fase de investimento. Queremos chegar lá e quando chegarmos queremos montar um modelo sustentável. E este modelo terá a participação dos municípios, a participação dos cidadãos utilizadores e veremos, se teremos Estado suficientemente competente para ser parte desse processo de financiamento ou um Estado mais competente, que é Estado mais descentralizado que pela partilha de uma maior dotação do Orçamento do Estado para os fundos, possa dar-nos, a nós, a decisão de fazer a afetação dos recursos financeiros.
Não nos colocamos naquela reclamação de que “eu não vou porque preciso que me deem mais dinheirinho”. Nós decidimos ir, porque esta matéria gerida por nós vai ter muito mais qualidade para os serviços aos nossos cidadãos, montar um modelo que seja financeiramente sustentável e não ficarmos antes de ir, a queixarmo-nos daquilo que achamos que não vamos ter quando chegarmos ao fim do processo.

TR - Por falar em sustentabilidade, também a energética e ambiental, são importantes e igualmente críticas. Considera a possibilidade de haver na região autocarros movidos a energias limpas?
RE - Estamos a trabalhar nessas áreas. Temos quatros dos nossos municípios que têm já fechados os acordos dos Planos Estratégicos de Desenvolvimento Urbano, os outros sete municípios estão a trabalhar nas candidaturas aos Planos de Reabilitação Urbana e nestes processos, a mobilidade e as questões da sustentabilidade, com a descarbonização, são peças de preocupação e de investimento. É bom lembrar que os instrumentos financeiros são fundamentais, porque é muito interessante comprar uma viatura elétrica, mas ela é muito mais cara. E é aí que achamos que tem de haver alterações no PO SEUR, aliás, não só aí, por exemplo: um dos absurdos do PO SEUR em relação ao POVT, é que as ciclovias não urbanas, deixaram de ser financiadas. É pois preciso uma reprogramação do POSEUR, porque não estão no sítio certo.

TR - Essa reclamação vai ao encontro da política definida pelo atual Governo?
RE - Já dissemos ao Governo atual que as opções de afetação dos recursos do POSEUR às tipologias de despesa, não está feita em coerência com os objectivos. É necessário um ajustamento para podermos dar o nosso contributo.

 
por: José Monteiro Limão
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