terça-feira, 21 de Agosto de 2018

 
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Passageiros & Mobilidade
16-06-2016

Transportes Públicos – mudanças de comportamento precisam-se!
“Somente os extremamente sábios e os extremamente estúpidos é que não mudam”
Confúcio

Recuso-me a participar na discussão sobre a importância dos Transportes Públicos na organização das nossas cidades, no desenvolvimento económico dos países e na sustentabilidade ambiental e social!

O assunto está de tal forma desenvolvido, debatido e interiorizado por todos que não valerá a pena insistir nessa reflexão.
Penso que a discussão oportuna, pelo menos em Portugal – país de estranhos costumes onde a organização não prima e o desalinhamento com as boas práticas externas é uma constante – passa por perceber se queremos ser consequentes, se queremos assumir políticas coerentes com a importância que damos aos transportes públicos.

E a resposta parece-me óbvia: sendo os Transportes Públicos indiscutivelmente um serviço de interesse público essencial à vida dos cidadãos, terão de ser garantidos na exata medida em que respondam positivamente às necessidades de mobilidade das populações.

A definição do nível de intervenção do Estado na execução dessa garantia é outra discussão. Bem menos importante, diga-se.
Mas, muito à portuguesa, temos gasto demasiado tempo a desenvolvê-la e a alimentá-la com prejuízo para todos, em particular para a população utente ou potencialmente utilizadora.
A legislação comunitária inclusivamente deu uma ajuda importante a este tema ao determinar a neutralidade absoluta no que se refere à propriedade dos chamados meios de produção. O que importa é a prestação do serviço público e os termos em que é prestado.

O que há então a fazer?
Numa palavra: mudar comportamentos!
Mas para mudar, sobretudo práticas de muitas décadas, é necessário criar os incentivos certos.
As pessoas, as instituições, não mudam simplesmente porque há vantagens ambientais, ou porque o sistema de transportes públicos é socialmente inclusivo.
Mudam quando encontram vantagens, individuais ou coletivas, de efeito imediato ou facilmente visíveis e constatáveis.
É preciso, pois, encontrar os caminhos certos para implementar as mudanças, é necessário perceber o que motiva, o que leva os cidadãos a alterar comportamentos e optar pela utilização mais regular do sistema de transportes públicos.

A generalidade dos estudos de opinião publicados nos últimos anos aponta-nos o caminho: teremos mais utilizadores se aumentarmos a frequência e a fiabilidade, melhorarmos a intermodalidade e praticarmos preços adequados ao poder de compra dos salários e pensões do utilizador médio.

Com a criação de mais vias dedicadas para os transportes públicos dentro das localidades aumentamos a velocidade comercial, a pontualidade e a fiabilidade dos transportes públicos, e com isso podemos aumentar a frequência e a qualidade do serviço prestado, e com mais meios disponíveis podemos mais facilmente revolver os problemas da intermodalidade; se facilitarmos o acesso dos autocarros aos grandes centros urbanos discriminando-os positivamente relativamente às viaturas particulares, estaremos a dar um sinal claro de mudança de política; se criarmos dificuldades de circulação ao transporte individual, se agravarmos as tarifas de estacionamento urbano, as pessoas vão perceber que é mais eficaz e inteligente utilizar os transportes públicos e deixar o carro em casa; se investirmos em políticas de tarifário social para segmentos específicos (estudantes, por exemplo) teremos mais utilizadores no sistema, menos pressão de utilização de transporte individual para resolver a deslocação dos jovens, e indução de novos utilizadores.

Não precisamos de fazer revoluções.
Não temos necessidade de começar tudo de novo.
Nem sequer é necessário alterar a atual “organização societária” dos transportes públicos em Portugal, onde coexistem pacificamente e há muitos anos, empresas estatais, municipais e privadas.

Temos apenas de tomar as decisões certas.
E com a mudança de atitude do Estado conseguimos induzir a mudança de comportamento dos cidadãos.
Simples, não é?

 
por: Luís Cabaço Martins
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Comentários
11-08-2016 12:34:46 por Luis Figueira
Pois é sr. Luis Cabaço Martins eu trabalhei 5 anos na TST e nunca vi o senhor a respeitar os passageiros ou os motoristas bem como a implementar as medidas brilhantes que tanto apregoa...E isso conduziu a empresa que administra ao estado em que ela se encontra...
11-07-2016 1:03:02 por noir
gostei muito bom
  
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