sábado, 29 de Abril de 2017

 

 
 
 
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Carga & Mercadorias
16-04-2012

A carga (s)em rede
A melhor organização que conheço em todo o mundo funciona em rede.
Uma rede tão perfeita, que todos os sistemas que a compõem estão ligados de forma tão eficaz e eficiente, que quando um deles falha ou tem apenas um pequeno contratempo, toda esta organização falha e pára.

Estou a falar, como é óbvio, do corpo humano.

E o que é que o corpo humano, tem a ver com o transporte de mercadoria?
Nada, dirão vocês. Tudo, direi eu.

Apenas aproveito a representação do corpo humano para explicar, como “imagem”, o conceito de rede de transporte de mercadorias em Portugal, que defendo.

Num mercado em constante mudança, a rede adquire cada vez mais um papel fundamental na organização do transporte.

Um País tão pequeno como o nosso não pode ter os vários sistemas de transporte a trabalhar continuamente de forma isolada, hostilizados e hostilizando-se, sob pena de tornar a cadeia de abastecimento ainda menos eficaz e eficiente e, dessa forma penalizar ainda mais a competitividade nacional.
Se alguns países europeus, sempre tiveram uma regulação muito forte no setor do transporte rodoviário, de forma a proteger o transporte ferroviário, o livro Branco dos transportes da UE, aprova até 2050, medidas que sugerem uma transferência das cargas da rodovia para a ferrovia. Portugal, aparentemente, comunica medidas contraditórias anunciando, bombas de gasolina “low cost” e reduções nas SCUT em alguns períodos do dia.

Acredito sinceramente que nem a rodovia nem a ferrovia querem facilidades, o que querem é, acima de tudo, contribuir para competitividade nacional, na parte a que cada um diz respeito, respeitando obviamente, o outro, o ambiente e o mercado.

Apesar de todos os momentos de crise que vivemos, o mercado europeu não deixa de ser talvez o mercado mais importante e só sei que temos de encontrar caminhos que permitam a sobrevivência dos sistemas rodoviário, ferroviário e marítimo, pois nenhum dos modos por si só, consegue abastecer este mercado e se salvar. Daí eu referir a importância que existe em articular todos eles e desse modo promover uma logística de proximidade, sem que ao cliente final, importe a maneira como a carga lhe chega, importando apenas que ela chegue, no dia, na hora e na data requerida.

Os três modos de transporte necessitam por isso de maior mobilidade e flexibilidade e devem oferecer ao mercado um conjunto de serviços altamente especializado.

Revela-se assim de extrema importância a questão da eleição do parceiro certo, para identificar, selecionar e avaliar as valências de cada um, tornando o Know-how, experiência e profissionalismo alcançados em anos de atuação, na junção certa entre as necessidades de ambos, de acordo com as infraestruturas disponíveis, que permitam alavancar soluções inovadoras.

Sublinho assim a ideia da necessidade e a importância da adoção de procedimentos que assegurem a conformidade da atuação das organizações com as exigências das verdadeiras parcerias. Muitas organizações nesta área, ainda encolhem os ombros (de indecisão ou de recusa) quando se fala em verdadeiras parcerias. Em minha opinião, fazem mal. E fazem mal, porque mais tarde ou mais cedo, vão perceber que deveriam ter entendido e aceitado os outros.

Quando reconhecerem, aceitarem a necessidade e a importância das parcerias e do funcionamento em rede, as dificuldades e desafios vão surgir. Ora a construção da parceria, ora a identificação de objetivos que cada um pretende atingir. Destas dificuldades terá de surgir um modelo de atuação e de procedimentos que irá permitir viver com os riscos, regras e uma nova cultura organizacional, que irá obrigar ao cumprimento rigoroso dos procedimentos instituídos. Só assim se atingem ganhos importantes ao nível da gestão, da parceria e da rede, tornando “esta” organização mais coesa e eficaz.

As organizações modernas conseguem assim responder melhor aos desafios dos clientes, quando estes, antes apenas pediam ajuda na operacionalização de novos projetos, agora pedem essencialmente a redução de custos. Para haver redução de custos é necessário uma maior capacidade de adaptação às necessidades momentâneas do mercado e do cliente, que só é possível graças a uma estrutura assente nestes novos modelos de governação, dotados de grande flexibilidade.

Acredito sinceramente que na vida e nos negócios, estar em rede é estar em confiança, e quanto maior for a confiança melhor se gere a organização e assim contribuir para criar uma mentalidade diferente da que está instalada e criar valor para Portugal.

Enfatizo uma vez mais a importância da articulação entre os sistemas de transporte. Os governos até deveriam ser os principais interessados em ter sistemas fortes, competentes e independentes, mas ao mesmo tempo concorrentes, desonerando-os de antagonismos, de interesses e pressões, potenciando a eficiência e a verdadeira competitividade da economia Portuguesa, neste caso pelo lado dos transportes.

Só a organização de todos os sistemas de transporte em rede, a exemplo dos sistemas do corpo humano, contribuirá para a competitividade do País, caso contrário, tal e qual como quando não há rede, não se “pesca” nada ou há a queda.

Desistir é uma solução permanente para um problema temporário.”
(James MacArthur)
 
por: António Nabo Martins
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Comentários
16-05-2013 20:07:19 por ADRIANO BEÇA GIL GIL
Concordo plenamente com o autor ao defender uma organização que integre todos os transportes de mercadorias de forma flexível e complementar.Quero acrescentar mais uma modalidade o transporte marítimo na sua vertente fluvial. Sou de opinião de que os troços navegáveis dos principais rios portugueses deveriam ser considerados na rede de transportes a nível nacional, numa perspectiva integrada dos vários modos de transporte disponíveis e cujo emprego deve ser feito numa óptica de complementaridade, tirando partido da diversidade de valências em apreço.
  
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